O chefe da polícia nacional do Irã, general Ahmad-Reza Radan, afirmou que qualquer pessoa que sair às ruas em sintonia com interesses externos será considerada “inimiga” do Estado, e não apenas manifestante. A declaração foi feita na terça-feira, 11 de março de 2026, à emissora estatal IRIB.
“Se alguém se apresentar em sintonia com os desejos do inimigo, não o veremos mais como um mero manifestante, mas sim como um inimigo”, disse Radan. Segundo ele, todas as forças de segurança estão “com as mãos no gatilho, preparadas para defender a revolução”.
Contexto de guerra e temor de novos protestos
As ameaças ocorrem na segunda semana da guerra no Oriente Médio, durante a qual Estados Unidos e Israel realizam ataques a alvos estratégicos no território iraniano. O regime teme que o conflito estimule uma nova onda de manifestações internas, semelhantes às realizadas alguns meses atrás contra a crise econômica e política.
Nas mobilizações anteriores, milhares de iranianos foram mortos ou detidos após a repressão do governo. À época, o então presidente americano Donald Trump prometeu ajuda para conter o que chamou de “assassinatos em massa”.
Posição de Washington
Na semana passada, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou que este não é o momento para protestos dentro do Irã, devido à campanha militar conjunta com Israel, mas acrescentou que “chegará um momento” em que a população decidirá “aproveitar essa vantagem” contra o regime.
Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram os primeiros bombardeios coordenados com o objetivo declarado de destruir o programa nuclear iraniano.
Com o endurecimento do discurso de Teerã e a escalada militar na região, organizações internacionais de direitos humanos alertam para o risco de outra repressão sangrenta caso manifestações voltem a ocorrer.
Com informações de Gazeta do Povo