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Polícia chinesa mobiliza mais de mil agentes e detém centenas de cristãos em megaoperação

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Centenas de cristãos foram presos na noite de 15 de dezembro em Wenzhou, província de Zhejiang, durante uma ação que contou com a participação de mais de mil policiais, incluindo equipes da SWAT, forças antimotim e bombeiros. A informação foi confirmada pela organização China Aid, que acompanha casos de perseguição religiosa no país.

A operação começou em 13 de dezembro, quando contingentes das cidades de Hangzhou, Pingyang e outras regiões de Zhejiang foram deslocados para o distrito de Yayang, em Wenzhou. Cinco dias depois, autoridades bloquearam vias de acesso à igreja local, conhecida como “Assembleia de Yayang”, confiscaram pertences de fiéis e impediram a entrada de moradores no templo.

Testemunhas relataram que, pouco antes das detenções, um espetáculo incomum de fogos de artifício iluminou a praça do governo em Yayang, funcionando como distração para o avanço das forças de segurança. Entre 16 e 17 de dezembro, pelo menos mais quatro pessoas foram levadas sob custódia para interrogatório.

Alvos principais

Segundo o China Aid, a ação teve como foco dois líderes religiosos locais: Lin Enzhao, de 58 anos, e Lin Enci, de 54. Cartazes de “procurado” foram espalhados pelo município oferecendo recompensas que variavam de 1.000 a 5.000 yuans (aproximadamente R$ 788 a R$ 4 mil) por informações que levassem à captura dos irmãos.

Lin Enzhao é procurado há mais de uma década após se opor à demolição de uma cruz em uma igreja e à instalação da bandeira do Partido Comunista Chinês. Documentos oficiais o descrevem como “ligado a gangues”, mas fiéis o consideram um defensor dos direitos da comunidade cristã.

Controle de informações

Durante a operação, plataformas de redes sociais ficaram sob forte monitoramento. Postagens que mencionavam as prisões ou denunciavam confisco de bens foram rapidamente removidas, de acordo com fontes locais que pediram anonimato.

Histórico de tensão

Yayang abriga um dos grupos cristãos mais organizados de Zhejiang. Desde 2014, quando o governo iniciou uma campanha para derrubar cruzes de igrejas na província, moradores têm organizado protestos contra as demolições e a instalação de equipamentos de vigilância. Em 2017, confrontos entre fiéis e policiais deixaram vários feridos.

As detenções de dezembro marcam mais um capítulo da intensificação da perseguição religiosa na China, em meio ao monitoramento estatal crescente sobre comunidades de fé.

Com informações de Gazeta do Povo