Pequim — O governo chinês iniciou tratativas com o Irã para assegurar a travessia de navios de petróleo bruto e gás natural liquefeito pelo Estreito de Ormuz, corredor responsável por cerca de 20% do comércio global de energia. As conversas, reveladas pela agência Reuters e confirmadas por três fontes diplomáticas, ocorrem enquanto o conflito entre Teerã, Estados Unidos e Israel chega ao sexto dia.
Segundo as fontes ouvidas, a principal preocupação de Pequim é garantir que cargueiros que partem do Catar consigam cruzar o estreito sem sofrer restrições impostas pelo regime iraniano. Desde o início dos combates, no sábado (28), o movimento na rota despencou: dados da consultoria Vortexa indicam que apenas quatro petroleiros atravessaram a área um dia após a eclosão da guerra, ante média de 24 por dia registrada desde janeiro. Cerca de 300 embarcações permanecem ancoradas na região, aguardando condições de segurança.
O impacto já se reflete nos preços internacionais do petróleo, que acumulam alta de mais de 15% desde o primeiro dia de confrontos. A China, maior importadora mundial de energia, depende fortemente do Oriente Médio para abastecer sua economia: aproximadamente 70% do petróleo e gás consumidos no país vêm do exterior, e cerca de 45% desse volume cruza o Estreito de Ormuz, de acordo com análise citada pela CBS News.
O mesmo levantamento aponta que até 80% do petróleo exportado pelo Irã tem como destino o mercado chinês. Embora Teerã tenha anunciado que bloqueará navios ligados a Estados Unidos, Israel, países europeus ou seus aliados, não mencionou qualquer restrição a embarcações chinesas.
Com informações de Gazeta do Povo