Home / Internacional / Pentagono e Anthropic entram em impasse que ameaça cronograma de IA nas Forças Armadas dos EUA

Pentagono e Anthropic entram em impasse que ameaça cronograma de IA nas Forças Armadas dos EUA

ocrente 1773445755
Spread the love

Uma disputa contratual entre o Departamento de Guerra dos Estados Unidos e a Anthropic, criadora do modelo de inteligência artificial Claude, colocou em risco o ritmo de adoção de sistemas de IA pelas Forças Armadas norte-americanas.

Contratos bilionários sob revisão

No ano passado, o Pentágono firmou acordos que poderiam chegar a US$ 200 milhões por fornecedor com a Anthropic e outras empresas do setor, visando acelerar o uso de IA em análise de inteligência, planejamento operacional, simulações e cibersegurança. Em janeiro de 2026, porém, o governo exigiu que todos os modelos contratados pudessem ser empregados “para qualquer finalidade legal”, ampliando o escopo original dos contratos.

Uso real em operação na Venezuela acirra tensão

Reportagens publicadas no início de fevereiro indicaram que o Claude teria sido utilizado para processar dados de inteligência durante a operação que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, realizada em janeiro. Executivos da Anthropic, que mantêm políticas internas contra vigilância em massa e contra o desenvolvimento de armas totalmente autônomas, consideraram o episódio uma violação de diretrizes e passaram a exigir cláusulas de salvaguarda nos contratos.

Pentágono endurece postura

Diante da resistência da companhia, o Departamento de Guerra pressionou por alterações contratuais que garantissem uso irrestrito da tecnologia. O diálogo se rompeu no fim de fevereiro, quando a Anthropic rejeitou o ultimato para flexibilizar suas regras. Como resposta, o governo Trump suspendeu o uso dos produtos da empresa em órgãos federais, deu seis meses para a substituição completa dos sistemas e classificou a Anthropic como “risco para a cadeia de suprimentos de segurança nacional” — rótulo geralmente aplicado a fornecedores estrangeiros considerados ameaças.

Ação judicial e busca por novos parceiros

Esta semana, a Anthropic ingressou com processo na Justiça norte-americana para tentar anular a decisão, alegando abuso de poder, falta de base legal e risco de prejuízos bilionários. Paralelamente, o Pentágono iniciou negociações com concorrentes, como a OpenAI — que anunciou acordo recente com o Departamento de Guerra — e a xAI, de Elon Musk, para ocupar o espaço deixado pela Claude.

Especialistas veem risco de atraso

Para o pesquisador Fernando Barra, autor de “Inteligência Artificial Ampliada”, a quebra de contrato não deve paralisar o emprego militar da IA, mas pode retardar sua expansão justamente quando Washington disputa supremacia tecnológica com China e Rússia. “Hoje a IA já atua em inteligência, modelagem, ciberoperações e apoio à decisão; ela passou ao centro da arquitetura de poder militar”, afirmou à Gazeta do Povo.

Barra alerta que, se outras empresas seguirem o exemplo da Anthropic e impuserem restrições, o Pentágono poderá enfrentar fragmentação de fornecedores, perda de interoperabilidade e maior dependência de poucos parceiros — cenário considerado arriscado em momentos de crise.

Com informações de Gazeta do Povo