O representante do Panamá no bureau da Organização das Nações Unidas (ONU) para a COP30, João Carlos Monterrey, afirmou que os países sem hospedagem garantida para a conferência em Belém estão sendo “feitos de tolos” pelo Brasil. A declaração foi dada em 24 de agosto de 2025, durante a terceira reunião em que o governo brasileiro precisou esclarecer os altos preços cobrados por hotéis e proprietários de imóveis na capital paraense.
“Estou absolutamente surpreso e, sinceramente, confuso com o fato de que, pela terceira vez neste bureau, todas as regiões do mundo falaram com uma só voz à presidência brasileira e, mesmo assim, nossas palavras parecem entrar por um ouvido e sair pelo outro”, disse Monterrey, que também preside o bureau da ONU. Segundo ele, as discussões dão a impressão de “realidade paralela” e fazem as delegações perderem tempo.
O governo brasileiro alegou à ONU que não dispõe de recursos para subsidiar hospedagens de países com menor capacidade financeira e pediu que a própria organização eleve sua contribuição diária, atualmente fixada em US$ 140 (cerca de R$ 759). “O governo brasileiro já está arcando com custos significativos para a realização da COP30 e, por isso, não há como subsidiar delegações de países”, declarou a jornalistas a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior.
Levantamento da Gazeta do Povo mostrado nos últimos dias apontou diárias entre US$ 1,1 mil e US$ 3,6 mil em imóveis anunciados na plataforma oficial do evento. Outro estudo, conduzido pelo secretariado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e divulgado em 22 de agosto, indica que 168 dos 186 países que responderam à consulta — 88% do total — ainda não garantiram alojamento a menos de três meses do início da conferência. Apenas 18 países confirmaram reserva.
A escalada nos preços levou 25 nações, entre elas Canadá, Suécia e Holanda, a assinarem documento que solicita a transferência total ou parcial da COP30 para outra cidade. A organização do evento negou qualquer possibilidade de mudança.

Imagem: EPA EFE via gazetadopovo.com.br
Para tentar contornar a crise, o governo brasileiro promete criar uma força-tarefa dedicada a encontrar acomodações para as delegações e costurar acordos com moradores de Belém, a fim de oferecer diárias mais acessíveis.
Com informações de Gazeta do Povo