Genebra (Suíça), 6 jan. 2026 – A porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Ravina Shamdasani, declarou nesta terça-feira (6) que a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos “torna o mundo menos seguro”.
Em comunicado divulgado na sede europeia da ONU, em Genebra, Shamdasani disse que a operação militar realizada pelos EUA viola o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, ao interferir na soberania venezuelana.
“A responsabilização por violações de direitos humanos não pode ser obtida por meio de intervenção militar unilateral”, afirmou a porta-voz, classificando o histórico de abusos do regime chavista como insuficiente para justificar a ação.
Críticas ao uso da força
Segundo Shamdasani, a intervenção norte-americana “prejudica a arquitetura de segurança internacional” ao ferir o princípio que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de outro Estado.
A representante do ACNUDH ressaltou que o povo venezuelano merece que os crimes atribuídos ao governo Chávez-Maduro sejam julgados “por meio de um processo justo e centrado nas vítimas”.
Captura e acusações
Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram detidos na Venezuela no sábado (3) durante operação conduzida por forças norte-americanas. Na segunda-feira (5), ambos declararam inocência em audiência na Justiça federal dos EUA, em Nova York.
O ex-ditador responde por conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos. Flores é acusada de conspiração para importação de cocaína e posse de armamento pesado.
Relação com o escritório da ONU
Apesar das críticas, Shamdasani afirmou que o ACNUDH está disposto a dialogar com o governo Donald Trump sobre o eventual retorno de seu escritório à Venezuela, fechado em fevereiro de 2024 após expulsão pela administração chavista.
Com informações de Gazeta do Povo