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Assembleia da ONU considera escravidão africana o crime mais grave contra a humanidade

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A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta quarta-feira (26.mar.2026) uma resolução que define a escravidão de africanos e o tráfico transatlântico de pessoas como “o crime mais grave já cometido contra a humanidade”. A iniciativa, apresentada por Gana, recebeu 123 votos favoráveis, enquanto Estados Unidos, Argentina e Israel votaram contra. Outros 52 países, entre eles Espanha, França, Alemanha, Holanda e Reino Unido, optaram pela abstenção.

O texto sustenta que a escravidão africana constituiu uma “ruptura definitiva” na história mundial, destacando sua extensão, duração, caráter sistêmico, brutalidade e efeitos prolongados, que ainda influenciam relações de trabalho, propriedade e capital em todo o planeta.

Críticas de Washington

Representando os EUA no Conselho Econômico e Social (Ecosoc), Dan Negrea qualificou a resolução como “altamente problemática” em diversos pontos. Ele afirmou que Washington continua a condenar o tráfico de escravizados, mas não reconhece obrigações legais de reparação por atos que, à época, não eram considerados ilícitos pelo direito internacional. Negrea também acusou o documento de promover “agendas específicas” e de prever grupos de trabalho e relatórios que, segundo ele, onerariam a ONU além de seu propósito original.

Pronunciamento de Guterres

O secretário-geral António Guterres classificou o tráfico de escravizados como “uma profunda traição à dignidade humana” e “máquina de exploração em massa”. Para ele, é chegada a hora de enfrentar as consequências persistentes da desigualdade e do racismo. “Jamais esqueceremos as vítimas da escravidão nem o sistema perverso que a sustentou por tanto tempo”, declarou.

Com a aprovação, a ONU reforça o debate sobre reparações históricas e sobre o legado de discriminação que se estende desde o período colonial até os dias atuais.

Com informações de Gazeta do Povo