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No interior japonês, Oizumi reúne 20% de brasileiros e vira vitrine da cultura verde-amarela

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Quem passa pelas ruas de Oizumi, na província de Gunma, a cerca de 100 quilômetros de Tóquio, escuta português, encontra placas bilíngues e vê fachadas tingidas de verde e amarelo. O município de pouco mais de 40 mil habitantes abriga hoje a maior proporção de brasileiros no Japão: cerca de 20% da população, segundo dados divulgados pelas autoridades locais em 2024.

Migração impulsionada por vagas nas indústrias

A presença brasileira ganhou força no fim dos anos 1980 e se intensificou na década de 1990, quando o governo japonês abriu o mercado de trabalho para descendentes de japoneses nascidos no exterior. Filhos e netos de imigrantes que tinham ido ao Brasil no início do século XX fizeram o caminho inverso em busca de oportunidades nas fábricas instaladas na região industrial de Gunma. Oizumi, estrategicamente posicionada, tornou-se polo desse fluxo e consolidou uma comunidade estruturada em torno de emprego, família e laços culturais.

Cotidiano bilíngue e serviços adaptados

A prefeitura oferece atendimento com tradutores, placas indicativas em japonês e português e rádio comunitária voltada aos imigrantes. Nos bairros mais movimentados, o português é ouvido com frequência maior que o japonês. Supermercados vendem feijão, farinha de mandioca e guaraná; restaurantes servem feijoada, churrasco e coxinha; salões de beleza e bares focam no público brasileiro.

Convivência entre culturas

Crianças brasileiras e japonesas dividem salas de aula e parques, enquanto adultos equilibram costumes do Brasil com a disciplina japonesa. A agenda local inclui festas juninas, campeonatos de futebol, shows de música popular brasileira e outros eventos que reforçam o sentimento de pertencimento e atraem curiosos nipônicos.

Destino turístico fora do roteiro tradicional

Percebendo o interesse crescente, a associação de turismo de Oizumi passou a divulgar a cidade como a “Capital Brasileira do Japão”. Milhares de visitantes seguem até Gunma para observar, em tempo real, como os fluxos migratórios remodelam espaços urbanos e produzem novas identidades culturais.

Assim, Oizumi transformou-se em vitrine da diáspora brasileira no Japão, demonstrando que integração e preservação de raízes podem caminhar lado a lado em um território distante.

Com informações de Gazeta do Povo