Washington, 14 nov. 2025 – O governo dos Estados Unidos anunciou, na quinta-feira (13), a Operação Lança do Sul (Southern Spear), novo capítulo da campanha militar e diplomática contra o narcotráfico na América Latina.
Em publicação na rede X, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, informou que a missão ficará a cargo de uma força-tarefa conjunta e do Comando Sul, responsável pelas operações dos EUA na América do Sul, América Central e Caribe. Detalhes operacionais não foram divulgados.
Porta-aviões no Caribe
O anúncio ocorre três dias depois da chegada ao Caribe do USS Gerald R. Ford, maior porta-aviões do Pentágono, acompanhado de seu grupo de ataque: mais de 4 mil marinheiros e dezenas de aeronaves. Outros navios de guerra, um submarino nuclear e caças já operavam na região.
Mobilização iniciada em agosto
Desde agosto passado, Washington mantém o maior contingente militar em décadas no Caribe, associando o tráfico de drogas ao governo de Nicolás Maduro. O Departamento de Estado oferece recompensa de US$ 50 milhões pela captura do líder venezuelano, apontado como chefe do Cartel de los Soles, classificado como organização terrorista em julho.
O Tesouro norte-americano também bloqueou mais de US$ 700 milhões em bens ligados a Maduro. A postura endurecida provocou atritos com a Colômbia e seu presidente, Gustavo Petro, chamado de “narcotraficante” pelo ex-presidente Donald Trump.
Linha do tempo da escalada
8 de agosto – Trump autoriza o uso da força contra cartéis latino-americanos, designados como grupos terroristas. Base legal segue em debate no Congresso.
2 de setembro – Primeiro ataque contra embarcação no Caribe. Segundo Washington, 11 integrantes do Tren de Aragua estavam a bordo. Desde então, as Forças Armadas dos EUA destruíram ao menos 19 lanchas no Caribe e no Pacífico, causando mais de 70 mortes.
15 de setembro – Os EUA retiram a Colômbia da lista de países que cooperam no combate às drogas e revogam o visto de Petro após ato pró-Palestina em Nova York.
28 de outubro – Maior destacamento naval norte-americano desde a Guerra do Golfo é posicionado perto da costa venezuelana.
31 de outubro – A ONU acusa Washington de violar o direito internacional com ataques em águas internacionais.
10 de novembro – Tropas terrestres dos EUA iniciam, no Panamá, exercícios de selva inéditos em décadas, informou a ABC News.
11 de novembro – O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, mobiliza 200 mil soldados para exercícios de prontidão e anuncia preparo de guerrilhas contra eventual incursão norte-americana.
14 de novembro – A Rússia repudia qualquer nova ação dos EUA que possa desestabilizar a Venezuela ou o Caribe, em resposta à Operação Lança do Sul.
Com a nova operação, Washington sinaliza que pretende manter a pressão militar e financeira sobre organizações de narcotráfico e governos aliados, enquanto a região acompanha os desdobramentos.
Com informações de Gazeta do Povo