Sandro Castro, de 33 anos, neto do ex-líder cubano Fidel Castro, declarou apoio a um acordo entre Havana e Washington e afirmou que “a maioria dos cubanos quer ser capitalista, não comunista”. A declaração foi feita em entrevista à emissora norte-americana CNN na segunda-feira (30).
Dono de uma boate em Havana e influenciador digital, Sandro costuma publicar nas redes sociais vídeos de humor e registros de uma vida confortável, incomum para a maior parte da população da ilha. Segundo ele, o objetivo não é ostentar. “Estou fazendo vídeos sobre uma situação tensa e triste. Pelo menos estou tentando fazer as pessoas felizes”, disse, negando desrespeito às dificuldades dos cubanos.
O neto do líder da revolução de 1959 relatou que também enfrenta problemas diários, como apagões e falta d’água. “Em um dia pode faltar luz, faltar água. As mercadorias não chegam. É muito difícil”, resumiu.
Em uma das postagens mais recentes, Sandro exibiu um ator caracterizado como o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um suposto “Hotel Trump” em Havana. “Há muitas pessoas em Cuba que pensam de forma capitalista”, afirmou à CNN.
Cenário de tensão energética
No fim de janeiro, Trump impôs tarifa a países que exportam petróleo para Cuba, sob a alegação de que a ilha abriga bases militares de nações adversárias dos EUA. A medida levou fornecedores, como o México, a suspender envios, agravando a crise energética e provocando apagões diários.
O bloqueio foi afrouxado pontualmente nesta segunda-feira (30), permitindo a chegada ao porto de Matanzas de um petroleiro russo com 730 mil barris de petróleo bruto. O governo norte-americano também já havia vetado, em 3 de janeiro, o fornecimento de petróleo venezuelano para a ilha.
Trump vem pressionando Havana a negociar. Na sexta-feira (27), declarou que “Cuba será a próxima” na lista de países que devem chegar a um entendimento com Washington, após as ações militares dos EUA na Venezuela e no Irã.
Com informações de Gazeta do Povo