Bogotá, 13 nov. 2025 – Dois ministros do governo de Gustavo Petro afirmaram nesta quinta-feira (13) que a Colômbia continua trocando informações de inteligência com os Estados Unidos, contrariando anúncio feito pelo presidente dois dias antes.
Na terça-feira (11), Petro escreveu na rede X que todas as instâncias de inteligência das Forças Públicas estavam instruídas a suspender “todas as comunicações e demais interações” com agências americanas enquanto Washington mantiver ataques com mísseis contra embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico. Segundo ele, “a luta contra as drogas deve ser subordinada aos direitos humanos do povo caribenho”.
Hoje, entretanto, o ministro da Defesa, Pedro Arnulfo Sanchez, declarou na mesma plataforma que o intercâmbio permanece inalterado. “O presidente Gustavo Petro deu instruções claras para manter, como vem sendo feito, um fluxo contínuo de informações com as agências internacionais para combater o tráfico de drogas, garantindo sempre o respeito aos direitos humanos e aos protocolos dos acordos e tratados internacionais”, escreveu.
O ministro do Interior, Armando Benedetti, também recuou da declaração inicial. Ele atribuiu “interpretação equivocada” à imprensa e a alguns integrantes do governo. “O presidente jamais afirmou que FBI, DEA e HSI deixariam de atuar na Colômbia em conjunto com Dipol, Dijin e CTI. Continuaremos trabalhando com os Estados Unidos, como este governo tem feito, no combate ao narcotráfico e ao crime”, assegurou.
A troca de mensagens ocorre após sucessivas tensões entre Bogotá e Washington. Em outubro, o presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu toda a ajuda financeira à Colômbia e o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) impôs sanções econômicas a Petro, à esposa Veronica del Socorro Alcocer Garcia, ao filho mais velho do mandatário e ao próprio Benedetti. A Casa Branca alegou que Petro “permitiu que cartéis de drogas florescessem” e se recusou a combatê-los.
Um mês antes, o Departamento de Estado já havia cancelado o visto de Petro depois de o presidente colombiano participar em Nova York de um ato pró-Palestina no qual, segundo Washington, incentivou soldados americanos a desobedecerem ordens e a promoverem violência.
Apesar das disputas diplomáticas e das recentes declarações contraditórias, os dois ministros asseguraram que a cooperação antidrogas entre Colômbia e Estados Unidos permanece operando normalmente.
Com informações de Gazeta do Povo