O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, informou nesta quarta-feira, 13 de agosto de 2025, que autorizou um plano de assentamento na área conhecida como E1, localizada entre Jerusalém Oriental e a Cisjordânia. Segundo ele, a iniciativa “enterrará” a possibilidade de criação de um Estado palestino.
De acordo com Smotrich, o projeto prevê a construção de 3.401 unidades habitacionais no assentamento de Maaleh Adumim. O ministro afirmou ainda que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teriam concordado com a retomada do empreendimento, embora nenhum dos dois tenha confirmado publicamente essa informação até o momento.
“Soberania de fato”
Para Smotrich, a aprovação na região do E1 é parte de um “plano de soberania de fato” conduzido pelo atual governo israelense. “Após décadas de pressão internacional e suspensão de projetos, estamos desafiando convenções e consolidando a conexão entre Maaleh Adumim e Jerusalém”, declarou.
Reações
O movimento Hamas classificou o plano como “criminoso”, dizendo que o governo israelense demonstra caráter “colonial e ocupante extremista”.
Na sede das Nações Unidas, o porta-voz Stéphane Dujarric pediu que a decisão seja revista, ressaltando que assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental “violam o direito internacional, consolidam a ocupação e obstruem ainda mais a perspectiva de uma solução de dois Estados”.
Antecedentes
No fim de maio, Smotrich anunciou a aprovação de 22 novos assentamentos judaicos na Cisjordânia. A organização israelense Peace Now descreveu a medida como a maior expansão desde os Acordos de Oslo, firmados em 1993.

Imagem: Fábio Galão via gazetadopovo.com.br
Em junho, Reino Unido, Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Noruega impuseram sanções contra Smotrich e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, proibindo a entrada de ambos nesses países e bloqueando seus bens. Os governos justificaram a decisão alegando incitação à violência contra palestinos na Cisjordânia. Na ocasião, Smotrich respondeu que o Reino Unido “já tentou uma vez impedir” a colonização judaica durante o período do Mandato Britânico.
Com a nova autorização para a área de E1, o governo israelense aumenta a pressão sobre o território que os palestinos reivindicam para a formação de seu futuro Estado, especialmente Jerusalém Oriental.
Com informações de Gazeta do Povo