Dois soldados da Coreia do Norte, detidos pelo Exército ucraniano em janeiro de 2025, declararam que pretendem solicitar asilo político na Coreia do Sul. A informação foi confirmada à agência France-Presse (AFP) por Jang Se-yul, diretor da organização Gyeore-eol Nation United, que auxilia desertores do regime de Pyongyang.
Segundo Jang, os militares expressaram o pedido durante uma entrevista realizada em 28 de outubro, em local mantido em sigilo na cidade de Kiev. “Eles pediram que o entrevistador os levasse para o Sul e imploraram para que voltasse para buscá-los”, relatou o ativista, ele próprio um desertor norte-coreano.
Os prisioneiros faziam parte de unidades enviadas por Moscou para reforçar o combate no leste da Ucrânia, de acordo com o jornal Korea JoongAng Daily. Um deles já havia manifestado, em fevereiro, o desejo de “viver normalmente” na Coreia do Sul, segundo um parlamentar sul-coreano que visitou os detidos.
Autoridades ucranianas informaram que o governo coordena ações com organismos internacionais para assegurar o cumprimento das Convenções de Genebra sobre o tratamento de prisioneiros de guerra. O Ministério da Defesa da Coreia do Sul ainda não se pronunciou, mas o Serviço Nacional de Inteligência de Seul analisa o caso em cooperação com aliados ocidentais.
Pela Constituição sul-coreana, todos os coreanos — incluindo os residentes no Norte — são reconhecidos como cidadãos da República da Coreia, o que pode tornar o pedido legalmente aceitável. Ainda assim, o deputado Yu Yong-weon alertou que a repatriação dos soldados equivaleria a uma “sentença de morte”, pois Pyongyang teria orientado suas tropas a cometer suicídio em caso de captura.
Com informações de Gazeta do Povo