Neste domingo, 26 de outubro, a Argentina vai às urnas para renovar parte do Congresso Nacional. O presidente Javier Milei aposta em um bom desempenho de seu partido, La Libertad Avanza (LLA), para ganhar fôlego político e proteger sua agenda de ajustes fiscais.
Disputa por 151 cadeiras
Estão em jogo 127 dos 257 assentos da Câmara dos Deputados e 24 dos 72 lugares do Senado. Hoje, o LLA controla apenas 44 cadeiras na Câmara e seis no Senado, obrigando Milei a negociar com siglas como o Proposta Republicana (PRO), do ex-presidente Mauricio Macri, nem sempre alinhadas às suas propostas.
Vetos derrubados e limites aos decretos
Nos últimos meses, o governo sofreu reveses no Legislativo. Parlamentares derrubaram vetos presidenciais a leis que ampliam o financiamento das universidades públicas e destinam mais recursos à saúde pediátrica. Além disso, aprovou-se um projeto que determina prazo de 90 dias para que decretos presidenciais sejam ratificados; caso contrário, perdem validade. O texto, já parcialmente endossado pelo Senado, também permite que um único veto de uma das Casas anule a medida.
Maioria segue distante
Segundo o advogado e professor da Universidade de Buenos Aires Flavio Gonzalez, mesmo que o LLA vença, não conseguirá maioria absoluta devido ao número limitado de vagas em disputa. Ainda assim, um resultado expressivo poderia dificultar futuras derrubadas de vetos, que exigem apoio de dois terços dos legisladores. “Sem alianças com governadores e setores da oposição dialogante, Milei continuará com dificuldades para aprovar sua pauta”, avaliou o especialista.
Trump entra em campo
Aliado de Milei, o presidente norte-americano Donald Trump tornou-se cabo eleitoral do LLA. Washington passou a comprar pesos diretamente e firmou um swap cambial de US$ 20 bilhões com o Banco Central da Argentina para conter a disparada do dólar. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou ainda buscar uma linha de crédito adicional, também de US$ 20 bilhões, junto a bancos privados e fundos soberanos.
Em 14 de outubro, Milei foi recebido na Casa Branca. Na ocasião, Trump sinalizou que a ajuda poderia ser suspensa se o líder argentino sofresse derrotas nas urnas. Horas depois, publicou na rede Truth Social apoio explícito ao presidente nas eleições legislativas: “Espero que o povo argentino reconheça o excelente trabalho que ele está fazendo… Javier Milei tem meu apoio total e completo”.
Risco de instabilidade nas relações
Para Flavio Gonzalez, o episódio evidencia que a parceria é entre governos, não entre Estados. Uma eventual derrota do LLA poderia reduzir o fluxo de dólares vindo de Washington, mas, na avaliação do professor, os Estados Unidos também não podem ignorar os problemas financeiros argentinos sob risco de aumentar a influência chinesa na região.
O resultado das urnas indicará se Milei ganhará força para avançar suas reformas ou se terá de ampliar ainda mais a negociação com partidos e governadores nos próximos dois anos de mandato.
Com informações de Gazeta do Povo