Cidade do México — 28 jan. 2026. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta quarta-feira (28) que o governo continuará despachando petróleo a Cuba sob a justificativa de ajuda humanitária, apesar das pressões dos Estados Unidos.
Em entrevista coletiva na capital mexicana, Sheinbaum explicou que os envios ocorrem de duas maneiras: por meio de contratos comerciais administrados pela estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) e por remessas classificadas como auxílio humanitário. “A Pemex define, de acordo com o contrato, quando o carregamento será realizado. A outra forma é a ajuda humanitária, que também envolve petróleo”, declarou.
Nesta terça-feira (27), a presidente confirmara a suspensão pontual de um carregamento, informação divulgada por agências internacionais, sem detalhar o motivo. Hoje, porém, esclareceu que a interrupção foi “pontual” e não representa mudança na política de abastecimento à ilha caribenha. “É uma decisão soberana do México enviar ajuda humanitária”, ressaltou.
Sheinbaum negou ter anunciado a interrupção definitiva das exportações e atribuiu a interpretação a reportagens publicadas após suas declarações. “Nunca disse que o fornecimento estava suspenso; essa foi uma interpretação posterior baseada em um artigo de jornal”, afirmou.
A continuidade do fornecimento ocorre em meio a temores de sanções norte-americanas. Na semana passada, a agência Reuters informou que o governo mexicano avaliava reduzir as exportações para evitar possíveis retaliações de Washington.
Desde antes da captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças dos EUA, em 3 de janeiro, o México já havia ultrapassado a Venezuela como principal fornecedor de petróleo a Cuba. Após a prisão, o presidente americano, Donald Trump, declarou que não haverá mais petróleo venezuelano para Havana e exortou o governo cubano a negociar com Washington. Parlamentares dos EUA alertam que a administração mexicana estaria assumindo esse papel.
A presidente reiterou que o México “sempre foi solidário com todos” e que as decisões sobre ajuda humanitária permanecem sob a esfera da soberania nacional.
Com informações de Gazeta do Povo