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Meta e Google vão a julgamento na Califórnia sob acusação de induzir jovens ao uso compulsivo de redes

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Começou nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, em um tribunal da Califórnia, o julgamento que coloca a Meta – controladora do Instagram – e a Alphabet – dona do YouTube – no banco dos réus. As duas gigantes da tecnologia são acusadas de adotar mecanismos que levariam crianças e adolescentes ao uso compulsivo de suas plataformas.

No centro do processo está a jovem identificada apenas pelas iniciais K.G.M., hoje com 19 anos. Segundo a ação, a adolescente desenvolveu depressão, ansiedade e pensamentos suicidas após anos de uso intenso do Instagram e do YouTube desde a infância. A defesa afirma que o vício não foi provocado por conteúdos específicos, mas pela própria arquitetura das redes, projetada para manter o usuário conectado pelo maior tempo possível.

Engajamento comparado a jogos de azar

Os autos alegam que as empresas utilizaram técnicas de engajamento semelhantes às empregadas em jogos de azar, com o objetivo de ampliar o tempo de permanência nas plataformas e, consequentemente, a receita publicitária. A estratégia, sustentam os advogados, teria aprofundado problemas de saúde mental em jovens usuários.

A acusação procura responsabilizar as corporações não pelo conteúdo publicado, mas pelo design dos serviços, tentando contornar proteções legais como a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos e a Seção 230, que normalmente blindam as empresas de ações relacionadas a postagens de terceiros.

Possível precedente jurídico

A imprensa norte-americana ressalta que o veredicto poderá criar precedente para centenas de processos semelhantes em andamento no país. O julgamento deve durar de seis a oito semanas e incluir depoimentos de executivos de alto escalão, entre eles o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, além de dirigentes do Instagram e do YouTube.

Empresas negam irregularidades

Em nota, a Meta declarou discordar totalmente das alegações e afirmou investir há anos em ferramentas de proteção para jovens, lembrando que problemas de saúde mental têm múltiplas causas. O Google, controlador do YouTube, também rejeitou as acusações e disse que oferecer uma experiência mais segura para crianças e adolescentes é prioridade da companhia.

Com informações de Gazeta do Povo