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Mercosul e União Europeia firmam tratado que cria uma das maiores áreas de livre-comércio do planeta

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Líderes do Mercosul e da União Europeia assinaram neste sábado, 17 de janeiro de 2026, o acordo de livre-comércio negociado há mais de 25 anos entre os dois blocos. A cerimônia, realizada em Assunção, consolida a criação de uma zona que reunirá cerca de 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto estimado em US$ 22 trilhões.

Participaram da assinatura o presidente paraguaio, Santiago Peña; o argentino Javier Milei; o uruguaio Yamandú Orsi; o boliviano Rodrigo Paz; o panamenho José Raúl Mulino; a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira, uma vez que o presidente Lula optou por não comparecer.

Convidados por Peña, os chefes de Estado sul-americanos acompanharam o ato e, durante seus discursos, Rodrigo Paz e Javier Milei manifestaram solidariedade ao povo venezuelano após a prisão de Nicolás Maduro. O anfitrião destacou o papel de Lula nas negociações: “sem ele, não haveria acordo”, afirmou.

Principais pontos do tratado

O documento prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas que hoje incidem sobre mais de 90% do comércio bilateral. Também estabelece normas comuns para bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

Próximas etapas

A despeito da assinatura, o texto ainda precisa ser ratificado internamente. No lado europeu, o Parlamento da UE analisará o acordo; dependendo do enquadramento jurídico, trechos poderão necessitar da aprovação dos parlamentos nacionais. Nos países do Mercosul, caberá aos congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai avalizar o tratado.

Até que todas as etapas sejam concluídas, blocos e governos poderão aplicar provisoriamente dispositivos, sobretudo os que tratam da redução tarifária.

Posições dentro da União Europeia

Segundo diplomatas europeus, 21 Estados-membros apoiaram a assinatura, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra; a Bélgica se absteve. A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, advertiu que adotará medidas unilaterais se produtores do país forem prejudicados.

Brasil na relação bilateral

O Brasil responde por cerca de 82% das importações europeias originadas no Mercosul e por 79% das exportações do bloco para a UE. Na véspera da cerimônia, Lula recebeu Ursula von der Leyen no Rio de Janeiro e classificou o período de negociação como “25 anos de sofrimento”. O presidente brasileiro ressaltou que o acordo “vai além da dimensão econômica” ao reunir valores como democracia e direitos humanos.

Com a assinatura, Mercosul e União Europeia iniciam a última fase para colocar em prática uma das maiores iniciativas de integração econômica global.

Com informações de Gazeta do Povo