Caracas/Washington, 5 fev. 2026 – A líder opositora venezuelana María Corina Machado afirmou que o país poderá realizar eleições democráticas “em nove ou dez meses”, caso o processo de transição seja iniciado imediatamente. A declaração foi dada em entrevista ao portal Politico, publicada nesta quinta-feira (5).
Vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2025 e atualmente nos Estados Unidos, Machado disse não ter discutido um calendário eleitoral com o presidente norte-americano Donald Trump, apesar de ter se reunido com ele em janeiro, ocasião em que presenteou o republicano com sua medalha do Nobel.
Contexto pós-Maduro
Desde a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, durante um ataque militar dos EUA à Venezuela, Washington passou a dialogar com o governo interino comandado pela chavista Delcy Rodríguez. A administração Trump declara que o país sul-americano se encontra sob sua tutela até a realização de um pleito livre.
Ao depor no Senado norte-americano em janeiro, o secretário de Estado Marco Rubio reforçou que o “objetivo final” é restabelecer a democracia por meio de eleições “livres e justas”, mas não estipulou datas, alegando que a transição “exigirá tempo”.
Confiança em nova votação
Machado sustenta que a Venezuela dispõe de “uma cultura democrática sólida” e de “uma sociedade organizada”, além de contar com apoio militar para a retomada institucional. “Todo o processo poderia ser concluído em nove ou dez meses. Mas isso depende de quando se começa”, declarou.
Ela citou a eleição de 28 de julho de 2024 — na qual o Conselho Nacional Eleitoral proclamou a reeleição de Maduro — como prova de que a população quer votar em liberdade. À época, a oposição alegou fraude e diversos governos reconheceram a vitória do candidato opositor Edmundo González Urrutia, apoiado por Machado.
A dirigente disse ainda pretender retornar “o mais rápido possível” à Venezuela para contribuir com a organização do novo processo eleitoral, agora respaldado pelo governo dos Estados Unidos.
Com informações de Gazeta do Povo