Vaticano, 12 jan. 2026 – A líder opositora venezuelana e Nobel da Paz, María Corina Machado, foi recebida nesta segunda-feira (12) pelo papa Leo XIV e solicitou que o pontífice use sua influência para ajudar na libertação de presos políticos e no avanço da transição democrática na Venezuela.
“Hoje tive a bênção e a honra de compartilhar com Sua Santidade e expressar nossa gratidão por seu acompanhamento do que acontece em nosso país”, escreveu Machado na rede social X, por meio de seu Comando Nacional de Campanha. No mesmo texto, ela afirmou ter pedido a Leo XIV que interceda “por todos os venezuelanos que permanecem sequestrados e desaparecidos”.
A audiência foi confirmada pelo boletim diário da Santa Sé e não constava da agenda pública do papa. Segundo fontes vaticanas, a conversa ocorreu em caráter privado.
Contexto político
O encontro ocorreu dez dias depois de forças norte-americanas capturarem em Caracas o ex-presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, transferindo-os para Nova York, onde respondem a acusações federais de narcotráfico. Machado reafirmou a legitimidade do presidente interino Edmundo González Urrutia, vencedor das eleições de 28 de julho de 2024.
Após se reunir com Leo XIV, a opositora encontrou-se ainda com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, núncio apostólico na Venezuela entre 2009 e 2013.
A visita ao Vaticano antecede potencial encontro de Machado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já manifestou intenção de recebê-la ainda nesta semana.
Posicionamento do papa
Na última sexta-feira, durante discurso anual ao corpo diplomático credenciado junto à Santa Sé, Leo XIV voltou a citar a crise venezuelana, apelando pelo respeito à vontade popular e por soluções pacíficas “distantes de interesses partidários”. O Washington Post revelou que o Vaticano teria tentado negociar um possível asilo na Rússia para Maduro antes de sua detenção.
Machado encerrou sua mensagem agradecendo o apoio do pontífice e dizendo confiar “na força do povo venezuelano” para restaurar a democracia no país.
Com informações de Gazeta do Povo