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Mesmo após 444 libertações, mais de 600 presos políticos seguem detidos na Venezuela, aponta ONG

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Caracas — 16/02/2026

A organização não governamental Foro Penal informou nesta segunda-feira (16) que mais de 600 pessoas continuam presas por motivos políticos na Venezuela, mesmo depois das 444 solturas registradas desde 8 de janeiro, quando o governo interino iniciou um processo de liberações.

O presidente da ONG, Alfredo Romero, divulgou o novo balanço diante do comando da Polícia Nacional Bolivariana (PNB) conhecido como Zona 7, em Caracas. No local, dez mulheres — todas familiares de detidos — realizam greve de fome e permanecem acorrentadas desde sábado em protesto contra as prisões.

No último sábado, o presidente da Assembleia Nacional, o chavista Jorge Rodríguez, anunciou a libertação de 17 pessoas que estavam custodiadas justamente na Zona 7. Segundo Romero, porém, a lista atual de presos políticos inclui casos que não foram denunciados publicamente por temor de represálias ou por desconhecimento do paradeiro dos detidos. Ele acrescentou que a ONG não contabiliza como “libertação” as situações em que o detento migra apenas para prisão domiciliar.

Casos emblemáticos continuam sem solução

Entre os exemplos citados pelo Foro Penal estão o ex-deputado Juan Pablo Guanipa, aliado da vencedora do Prêmio Nobel da Paz María Corina Machado, e o assessor jurídico oposicionista Perkins Rocha. Ambos deixaram a prisão em 8 de fevereiro, mas seguem em regime domiciliar. Guanipa chegou a ser detido novamente no mesmo dia sob acusação de violar liberdade condicional e agora cumpre medida em sua residência, em Maracaibo, capital do estado de Zulia.

Anistia emperrada no Parlamento

Em 6 de fevereiro, Jorge Rodríguez prometeu libertar todos os presos após a aprovação de uma lei de anistia, previsão que ele estimou para a sexta-feira seguinte. Entretanto, a Assembleia Nacional adiou o segundo e último debate do texto para esta semana devido a divergências sobre um dos artigos.

O debate legislativo e as recentes solturas ocorrem em meio a um novo cenário político, após a ditadora interina Delcy Rodríguez — irmã de Jorge Rodríguez — ter assumido o comando do país depois que o ex-presidente Nicolás Maduro foi capturado por tropas dos Estados Unidos em uma operação militar na capital.

Até que a lei de anistia seja aprovada e aplicada, o Foro Penal sustenta que mais de 600 venezuelanos continuam privados de liberdade exclusivamente por razões políticas.

Com informações de Gazeta do Povo