São Paulo – A pré-candidata a deputada federal por São Paulo Rita Zambelli (PL) declarou nesta quinta-feira, 26 de março de 2026, que ainda não há data definida para a extradição de sua filha, a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL), autorizada pela Corte de Apelação de Roma.
“Ainda cabem recursos e não há data prevista, como anunciam seres que apoiam esse regime. Algumas fontes, inclusive da imprensa, dizem que pode demorar ainda dois anos”, afirmou Rita, criticando os boatos divulgados após a decisão judicial italiana.
Defesa prepara dois recursos
De acordo com a legislação italiana, a defesa tem 15 dias para recorrer. Os advogados pretendem apresentar dois recursos: um direcionado à decisão que autorizou a extradição e outro contestando o indeferimento do pedido de suspeição dos juízes. A própria Carla Zambelli, auxiliada por tradutores, formalizou verbalmente o requerimento durante a audiência.
Em seu pronunciamento, a ex-parlamentar declarou respeitar os magistrados italianos, mas disse sentir-se insegura por, segundo ela, ter sido perseguida no Brasil pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Sentença considera crimes compatíveis
Redigida pelo juiz Aldo Morgigni e aprovada pelos colegas Flavio Monteleone e Fabrizio Suriano, a sentença reconheceu a equivalência entre os crimes pelos quais Zambelli foi condenada no Brasil — invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica — e tipos penais previstos na legislação italiana.
Morgigni apontou que a defesa tentou transformar a Justiça italiana em um “padrão de legitimidade universal”, o que, segundo ele, contraria as normas de cooperação jurídica internacional. O colegiado também rechaçou o argumento de que a pena aplicada pelo STF seria injusta.
STF e imparcialidade de Moraes
O texto cita o artigo da Constituição brasileira que estabelece a competência do STF e compara o foro privilegiado de parlamentares no Brasil ao previsto para legisladores na Itália, concluindo que o Supremo tem poder constitucional para julgar deputados em exercício. Os juízes italianos afastaram a alegação de parcialidade de Alexandre de Moraes, afirmando que eventuais opiniões pessoais não influenciaram a deliberação colegiada.
Condições prisionais e dupla cidadania
Sobre as condições na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como “Colmeia”, a Corte levou em conta o Plano Nacional de Política Penitenciária (2010), investimentos do Fundo Penitenciário Nacional e a criação do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura.
Embora Carla Zambelli possua cidadania italiana, o tribunal concluiu que a dupla nacionalidade não impede a cooperação penal entre os dois países.
Com informações de Gazeta do Povo