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Macron acusa gestão Trump de tentar enfraquecer a União Europeia

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O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adota uma linha “abertamente antieuropeia” e trabalha para fragmentar a União Europeia (UE).

A declaração foi dada a um grupo de jornais europeus, entre eles o francês Le Monde e o britânico Financial Times, durante entrevista concedida em Dunquerque, no norte da França.

“Não está funcionando”

Macron disse que o bloco europeu tentou, sem sucesso, negociar com Washington diante de medidas consideradas hostis. “Quando há um ato claro de agressão, não devemos ceder nem buscar um acordo a qualquer custo. Tentamos isso por meses; não está funcionando”, resumiu.

Tarifas ligadas ao caso Groenlândia

Em janeiro, Trump anunciou tarifas sobre importações provenientes de oito países do bloco — inclusive a França — por causa da oposição europeia ao plano norte-americano de anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. Pouco depois, a Casa Branca suspendeu as tarifas ao informar que havia chegado a uma estrutura de entendimento sobre o tema com a Otan; detalhes, porém, não foram divulgados. A UE, em resposta, congelou provisoriamente um pacote de retaliação comercial.

Regulação digital na mira

Para Macron, novas fricções são inevitáveis, sobretudo em razão da legislação europeia que regulamenta grandes empresas de tecnologia norte-americanas. “Os EUA, nos próximos meses — disso tenho certeza —, nos atacarão por causa da regulação digital”, disse.

Pressão dupla: Estados Unidos e China

O líder francês também citou a concorrência chinesa como outro ponto de tensão. “Temos o tsunami chinês no front comercial e, ao mesmo tempo, uma instabilidade constante do lado americano. Essas duas crises representam um choque profundo para os europeus”, declarou.

Dívida europeia como alternativa

Diante do cenário, Macron sugeriu que o bloco ofereça títulos de dívida denominados em euros a investidores que buscam opções ao dólar. “Os mercados estão cada vez mais cautelosos com a moeda americana. Vamos apresentar a eles a dívida europeia”, afirmou.

A entrevista foi concedida enquanto o presidente visitava uma fábrica em Dunquerque, parte de uma agenda voltada a temas econômicos e industriais.

Com informações de Gazeta do Povo