Buenos Aires – Um dia antes da assinatura do tratado de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou nesta sexta-feira (16/01/2026) um artigo no jornal argentino La Nacion em que classifica o pacto como “a resposta” ao “unilateralismo que isola mercados” e ao “protecionismo que sufoca o crescimento global”.
O texto aparece na véspera da cerimônia marcada para este sábado (17) em Assunção, capital paraguaia, que encerrará 26 anos de negociações entre os dois blocos econômicos. Embora o Brasil tenha conduzido parte decisiva do diálogo, Lula não participará do evento.
Críticas indiretas e defesa do multilateralismo
Sem citar diretamente os Estados Unidos, o presidente argumenta que “guerras comerciais segregam economias, empobrecem nações e ampliam a desigualdade”. Para Lula, o acordo comprova que “o comércio internacional não é jogo de soma zero” e que a parceria criará “emprego, renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico” para ambos os lados.
O chefe do Executivo brasileiro acrescenta que a assinatura só foi possível porque Mercosul e União Europeia “optaram por dialogar em condições de respeito e igualdade”. Segundo ele, o entendimento mostra que “cooperação é mais eficaz do que intimidação e conflito”.
Ausência em Assunção e agenda paralela
Embora se distancie da celebração oficial, Lula terá encontro na sexta (16) no Rio de Janeiro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para discutir os próximos passos do tratado e temas da agenda internacional.
Na cerimônia no Paraguai estarão o presidente argentino, Javier Milei; o anfitrião Santiago Peña; Yamandú Orsi, do Uruguai; José Raúl Mulino, do Panamá; e Rodrigo Paz, da Bolívia.
Acordo cria maior zona de livre-comércio por população
Com a assinatura, Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e União Europeia formarão a maior área de livre comércio do mundo em número de habitantes: 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado de US$ 22 trilhões.
Ao final do artigo, Lula defende “governança mundial mais ativa, representativa, inclusiva e justa” e cita a necessidade de reformar a Organização Mundial do Comércio e o Conselho de Segurança da ONU. Para ele, “somente o trabalho conjunto entre Estados e blocos pode promover a paz, prevenir atrocidades e enfrentar a mudança climática”.
Com informações de Gazeta do Povo