Jerusalém – A chegada dos últimos 20 israelenses mantidos em cativeiro na Faixa de Gaza, nesta segunda-feira (13), encerrou a primeira fase do acordo mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre Israel e o Hamas. Durante discurso no Parlamento israelense, o republicano definiu o dia como “histórico” e declarou que “não é apenas o fim de uma guerra, é o fim da era do terror e da morte”.
Apesar do avanço, autoridades e analistas reconhecem que o pacto definitivo ainda está longe de ser fechado. O economista Igor Lucena, doutor em relações internacionais pela Universidade de Lisboa, afirmou à Gazeta do Povo que o momento atual representa “um cessar-fogo com potencial para se transformar em um acordo de paz genuíno”.
Negociações travadas em pontos centrais
As conversações conduzidas por Washington destravaram diálogos interrompidos havia meses. No início do ano, Israel e Hamas firmaram uma trégua de janeiro a março que resultou na libertação de 25 reféns vivos e na devolução dos restos mortais de outros oito. Os combates, porém, foram retomados em seguida.
Entre os temas ainda sem consenso estão a criação de um governo provisório para Gaza, a reconstrução do enclave e o desarmamento do grupo palestino. Esses pontos compõem o chamado “projeto de paz de Trump”.
Interrupção das operações e nova tensão
Desde a última sexta-feira (10), o Exército israelense suspendeu suas ações na Faixa de Gaza em cumprimento ao acordo. Nesta segunda, contudo, o governo de Benjamin Netanyahu acusou o Hamas de violar os termos ao entregar apenas quatro dos 28 corpos de reféns aguardados por famílias em Israel. Tel Aviv já sinalizou que poderá reagir caso considere haver atraso deliberado.
Postura de Netanyahu
Antes do pronunciamento de Trump, o primeiro-ministro afirmou que manterá sua palavra se o presidente norte-americano seguir comprometido com a paz. No domingo (12), porém, ele ressaltou que o país ainda enfrenta “grandes desafios” de segurança e que seus “inimigos” tentam se reagrupar para novos ataques.
Netanyahu também recusou convite para a Cúpula pela Paz em Gaza, realizada em Sharm el-Sheikh, Egito, com presença de Trump e de líderes árabes e europeus. O gabinete do premiê justificou a ausência pela proximidade do feriado judaico de Simchat Torá.
Expectativas regionais
Segundo Lucena, o desfecho do conflito depende de ações coordenadas pelos Estados Unidos junto a nações árabes. O analista vê necessidade de retomar os Acordos de Abraão, do reconhecimento de um Estado palestino por Israel – sem participação do Hamas – e de uma força internacional de segurança liderada por países como Arábia Saudita e Catar, com aval norte-americano.
Reportagem da CNN indica que vários governos da região, entre eles a Arábia Saudita do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, cobram garantias de que as discussões resultarão na criação de um Estado palestino.
Pressão por compromisso norte-americano
O ex-negociador dos EUA para o Oriente Médio Aaron David Miller, hoje no Carnegie Endowment for International Peace, disse ao Wall Street Journal que Trump precisa “levar a iniciativa até o fim” para evitar que Gaza volte ao cenário anterior aos ataques de 7 de outubro de 2023.
Enquanto diplomatas buscam consolidar a trégua, famílias de vítimas aguardam a devolução dos corpos restantes e a região segue em expectativa diante dos próximos passos de Israel, Hamas e Estados Unidos.
Com informações de Gazeta do Povo