Moscou, 18 set. 2025 — O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou nesta quinta-feira (18) a renúncia “por vontade própria” de Dmitry Kozak, vice-chefe do Gabinete Executivo Presidencial da Rússia. É a primeira baixa de alto escalão atribuída à oposição interna à ofensiva russa contra a Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.
Primeira renúncia ligada a críticas ao conflito
Peskov informou, em entrevista coletiva diária, que o pedido de saída partiu do próprio Kozak e negou a existência de decreto formalizando o afastamento. “Não publicamos o decreto, não há decreto”, disse o porta-voz, sem detalhar as razões apresentadas pelo ex-auxiliar.
Tentativas de deter a invasão
De acordo com reportagens do jornal norte-americano The New York Times, publicadas em agosto, Kozak teria advertido Vladimir Putin sobre as consequências da guerra ainda em 2022 e apresentado propostas para um cessar-fogo. O vice-chefe também teria buscado interlocutores ocidentais em busca de argumentos capazes de convencer o presidente a recuar, gesto que provocou críticas de apoiadores do Kremlin.
Possível novo cargo
O periódico russo Vedomosti divulgou na véspera que Kozak, de 66 anos, pode assumir o posto de representante plenipotenciário do presidente no Distrito Federal Noroeste. Outros veículos locais levantam a possibilidade de sua transferência para o setor privado.
Trajetória no círculo de Putin
Nascido na Ucrânia, Kozak formou-se em Direito em Leningrado e ingressou na equipe de Putin em Moscou em 1999. Foi chefe da campanha presidencial de 2004, ocupou o cargo de vice-primeiro-ministro entre 2008 e 2020 e, desde então, atuava no alto escalão do Kremlin.
Até o momento, o governo russo não anunciou oficialmente o substituto para a vice-chefia do Gabinete Executivo Presidencial.
Com informações de Gazeta do Povo