O líder norte-coreano, Kim Jong-un, afirmou que qualquer melhora nas relações com os Estados Unidos dependerá da retirada do que classificou como “política hostil” de Washington em relação a Pyongyang. A declaração foi feita durante o 9º Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia, encerrado na noite de quarta-feira (24) com um desfile militar na praça Kim Il-sung, na capital.
Em relatório apresentado na sexta-feira (20) e no sábado (21), Kim disse que, se os EUA “respeitarem o status do nosso Estado, conforme previsto na Constituição, e abandonarem sua política hostil, não teríamos motivos para não nos darmos bem”. A referência é à emenda constitucional de 2023, que oficializou a política de fortalecimento do programa nuclear.
“Fortalecer e expandir ainda mais nossas forças nucleares é a vontade firme e inabalável do partido”, declarou o dirigente, reiterando que o tema da desnuclearização não voltará à mesa de negociações.
Rejeição a Seul
Kim classificou como “enganosas” as iniciativas de aproximação do presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, e voltou a tratar o Sul como “entidade hostil”. Disse não ter intenção de negociar com Seul.
Em resposta, o Ministério da Unificação sul-coreano lamentou a posição de Pyongyang e reafirmou três princípios: respeito ao sistema norte-coreano, rejeição à reunificação por absorção e ausência de atos hostis, mantendo o objetivo de “coexistência pacífica” na península.
Desfile militar sem novos mísseis
O congresso, que define as diretrizes políticas, econômicas e militares do país para os próximos cinco anos, foi concluído com um desfile que reuniu dezenas de colunas de tropas e unidades aéreas, inclusive militares destacados no exterior — entre eles os soldados enviados a Kursk para apoiar a Rússia na guerra contra a Ucrânia.
Não houve menção, contudo, a sistemas estratégicos recentes, como o míssil balístico intercontinental Hwasong-20, apresentado em outubro de 2025, o que sugere que o artefato pode não ter sido exibido.
Durante a cerimônia, Kim advertiu que o Exército realizará “terríveis ataques de retaliação” contra qualquer força que execute ações militares hostis que ameacem o regime.
O presidente americano, Donald Trump, manifestou disposição de se reunir com Kim “o quanto antes”, mas não conseguiu concretizar um encontro quando esteve na Coreia do Sul em outubro passado, durante viagem pela Ásia.
Com o fim do congresso, Pyongyang reforça a prioridade ao desenvolvimento nuclear enquanto condiciona qualquer avanço diplomático à mudança de postura dos Estados Unidos.
Com informações de Gazeta do Povo