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Khamenei desafia EUA e diz que eventual ataque ao Irã provocará “guerra regional”

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Teerã – O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, advertiu neste domingo (1º) que qualquer ação militar dos Estados Unidos contra o país desencadeará um conflito em toda a região. A declaração foi feita diante de milhares de apoiadores, durante cerimônia que marca o 47º aniversário do retorno do aiatolá Ruholá Khomeini ao Irã, dez dias antes da vitória da Revolução Islâmica de 1979.

“Os americanos devem saber que, se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional”, afirmou Khamenei. Segundo ele, o Irã não pretende começar um confronto, mas responderá “com um golpe firme” a qualquer agressão.

O alerta ocorre em meio ao envio, pelos Estados Unidos, de uma frota liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln para as proximidades do golfo Pérsico. Washington ameaça recorrer à força caso não seja alcançado um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

Khamenei minimizou as ameaças do presidente americano Donald Trump. “Ele vive dizendo que mandou porta-aviões e outras coisas. Isso não assusta o povo iraniano”, declarou.

Protestos internos e repressão

O líder iraniano também se referiu às manifestações contrárias ao regime, registradas entre 28 de dezembro e 11 de janeiro. Para Khamenei, os atos representaram “uma tentativa de golpe de Estado” destinada a destruir centros estratégicos do país, como delegacias, repartições públicas, unidades da Guarda Revolucionária, bancos e mesquitas. A ação, disse, incluiu até a queima do Corão.

De acordo com o balanço oficial, 3.117 pessoas morreram durante a repressão. A ONG HRANA, sediada nos EUA, eleva o número para 6.713 e afirma investigar 17 mil denúncias de homicídio.

Posições de Teerã e Washington

Diante da escalada, Trump chegou a ameaçar intervenção militar, mas recentemente indicou preferência por um “acordo” com Teerã. “O Irã está negociando conosco e veremos se podemos fazer algo; caso contrário, veremos o que acontece”, disse na noite de sábado.

Por telefone, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse ao mandatário egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, que um conflito aberto não beneficiaria nenhum dos lados nem o Oriente Médio. Teerã se mostra disposto a participar de negociações “significativas, lógicas e justas” sobre seu programa nuclear, mas rejeita discutir seus mísseis e demais capacidades militares, como exige Washington.

Com informações de Gazeta do Povo