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Kevin Warsh, escolhido por Trump para o Fed, encara pressão por corte de juros e teste de independência

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou o financista Kevin Warsh para comandar o Federal Reserve (Fed) com a missão declarada de reduzir a taxa básica de juros, hoje entre 3,5% e 3,75%. Nomeado no fim de janeiro, Warsh precisa ser sabatinado pelo Senado entre fevereiro e março e, se confirmado, assume o cargo em maio.

Desafio duplo: Casa Branca x autonomia do Fed

Ao chegar, Warsh encontrará dois obstáculos principais: acomodar a pressão da Casa Branca por juros menores e preservar a confiança do mercado na independência da autoridade monetária. A situação remete a episódios históricos, como a forte influência do ex-presidente Richard Nixon sobre o então presidente do Fed, Arthur Burns, que resultou em inflação galopante na década de 1970.

Trajetória de Warsh

Aos 55 anos, Warsh reúne passagens pelo Conselho de Governadores do Fed — onde foi o integrante mais jovem —, assessoria econômica do ex-presidente George W. Bush e carreira em Wall Street. Em 2017, quase foi escolhido por Trump para o banco central, mas o republicano optou por Jerome Powell.

Objetivos de Trump

Trump vem criticando abertamente Powell por resistir a cortes de juros e deseja hipotecas mais baratas — hoje pouco acima de 6%. Em entrevista à Fox Business, Warsh sinalizou que poderia “reduzir bastante” as taxas, tornando acessíveis financiamentos de 30 anos e estimulando o mercado imobiliário.

Perfil considerado “duro”

Apesar do tom recente, Warsh é visto como defensor de política monetária mais restritiva. Ele sustenta que ganhos de produtividade e avanços em inteligência artificial podem sustentar um crescimento acelerado sem reacender a inflação, que fechou 2025 em 2,7%, ainda acima da meta de 2%.

Reação dos mercados

Após a indicação, os principais índices acionários recuaram, o dólar se fortaleceu e os metais preciosos despencaram — a prata teve a pior queda diária desde 1980, enquanto o ouro registrou um dos piores desempenhos em décadas — indicando incerteza sobre o rumo da política monetária.

Balanço de US$ 6,6 trilhões sob avaliação

Estrategistas do Citigroup avaliam que Warsh deverá reduzir gradualmente o portfólio de US$ 6,6 trilhões do Fed, composto por títulos do Tesouro e papéis atrelados a hipotecas. O estoque chegou a quase US$ 9 trilhões após a crise de 2008 e a pandemia, mas o enxugamento foi interrompido em dezembro devido à pressão no mercado de recompra.

Bill English, ex-diretor de assuntos monetários do Fed e professor em Yale, alerta que apenas diminuir o balanço patrimonial não bastará para derrubar as hipotecas, podendo criar atritos com a Casa Branca.

“Mudança de regime”

Warsh afirma que pretende recolocar o Fed no foco da estabilidade de preços, afastando-se de temas como emprego inclusivo ou clima. “O Fed perdeu o rumo”, declarou em 2025, defendendo “sacudidas” na instituição.

Risco limitado à autonomia, dizem especialistas

Para Marcello Marin, mestre em Governança Corporativa, a perda formal de independência é improvável, mas a percepção de alinhamento político pode ferir a credibilidade. Adriana Melo, especialista em Finanças, concorda e vê risco de “erosão reputacional” caso o mercado enxergue decisões politizadas.

Marin classifica Warsh como conservador: se confirmado, espera-se firmeza na comunicação, ênfase no controle da inflação e menor tolerância a estímulos prolongados.

O Senado agora decide se o financista será, de fato, o próximo presidente do Federal Reserve.

Com informações de Gazeta do Povo