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Karol Nawrocki assume presidência da Polônia com promessa de restaurar conservadorismo

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O historiador de 42 anos e ex-campeão juvenil de boxe Karol Nawrocki tomou posse como presidente da Polônia em 6 de agosto de 2025, após vencer a eleição realizada em junho. Em discurso no Parlamento, ele se comprometeu a defender valores conservadores, combater a imigração ilegal e evitar uma “Polônia A e Polônia B”.

Nawrocki afirmou que acompanhará de perto os projetos do governo de coalizão chefiado pelo primeiro-ministro centrista-liberal Donald Tusk, a quem já classificou a eleição como “referendo para destituir”. Segundo o novo chefe de Estado, todas as iniciativas do gabinete deverão ser informadas “pontualmente” à Presidência.

Alinhado à direita internacional

Durante a campanha, Nawrocki recebeu apoio do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán. Ele se apresenta como defensor da soberania polonesa frente à União Europeia e promete continuar intervindo no Judiciário “para recolocar o país no caminho do Estado de direito”, recusando-se a nomear juízes que, em sua avaliação, “prejudiquem a ordem constitucional”. O presidente também declarou que adotará medidas contra o atual ministro da Justiça, que acumula o cargo de procurador-geral e foi indicado por Tusk, por considerá-lo “eleito ilegalmente”.

Trajetória: de segurança de hotel a doutor em Humanidades

Nascido em Gdansk, Nawrocki trabalhou como segurança de hotel e conciliou estudos noturnos para obter o mestrado antes de concluir o doutorado em Humanidades. Ele chefiou o Instituto de Memória Nacional (IPN), responsável por investigar crimes nazistas e comunistas, e comandou o Museu da Segunda Guerra Mundial em sua cidade natal.

No IPN, liderou a remoção de monumentos do Exército Vermelho após a invasão russa da Ucrânia, ação que o colocou numa lista de procurados de Moscou. Críticos o acusam de minimizar o Holocausto e de restringir pesquisas sobre o antissemitismo na Polônia, enquanto ele sustenta ter publicado ou editado sete livros focados na história nacional.

Agenda interna e defesa

O presidente anunciou a criação de um Conselho para a Reparação do Sistema Estatal, cujo quadro de integrantes — políticos e acadêmicos “de todos os círculos ideológicos”, segundo ele — será divulgado em breve. Entre as prioridades, estão o reforço do conteúdo de literatura e história polonesa nas escolas e o freio ao que chama de “ideologia LGBT”.

Nawrocki apoia novos investimentos nas Forças Armadas, já consideradas as maiores da União Europeia, e pretende manter o envio de armas à Ucrânia, mas não aceita ampliar a entrada de refugiados ucranianos no país.

Karol Nawrocki assume presidência da Polônia com promessa de restaurar conservadorismo - Imagem do artigo original

Imagem: Isabella de Paula via gazetadopovo.com.br

Controvérsias

Durante a campanha, surgiram questionamentos sobre o patrimônio do presidente. Inicialmente, ele afirmou possuir apenas um pequeno apartamento em Gdansk, mas depois admitiu ter recebido outro imóvel, que diz ter doado a entidades de caridade. Fotos ao lado de um membro de gangue e outros criminosos também vieram a público; Nawrocki negou proximidade. Em outro episódio, foi acusado de ligar a um programa de TV com voz disfarçada para recomendar um livro sobre um gângster que ele próprio escreveu usando pseudônimo.

Nawrocki costuma publicar nas redes sociais imagens da família, símbolos da fé católica e vídeos de treinos de boxe e tiro. Aliados o descrevem como “homem comum” que trabalhou duro para chegar à Presidência; opositores alertam para o avanço de pautas conservadoras em contraste com propostas liberais do governo Tusk, como a legalização do aborto até a 12ª semana.

Ele encerrou o discurso de posse reforçando que “a Polônia continua no coração da Europa, mas não permitirá imposições externas que contrariem sua identidade”.

Com informações de Gazeta do Povo