Teerã – O chefe do Poder Judiciário do Irã, Gholamhossein Mohseni Ejei, determinou maior rigor contra mulheres que não usam o véu islâmico em público e classificou o descumprimento da regra como “anomalia social”. A ordem foi dada na sexta-feira (14) e inclui a mobilização de procuradores e forças de segurança para identificar grupos considerados organizados ou com “ligações estrangeiras”.
O hijab tornou-se obrigatório para todas as mulheres no país após a Revolução Islâmica de 1979. Ainda assim, em grandes cidades como Teerã, cresce o número de iranianas que circulam sem cobrir os cabelos, usam calças jeans ou tênis – condutas vistas como provocação por setores conservadores.
Pressão após protestos de 2022
A resistência ao véu intensificou-se depois da morte de Mahsa Amini, de 22 anos, detida em 13 de setembro de 2022 pela polícia dos costumes. A jovem entrou em coma sob custódia e morreu três dias depois, gerando protestos que deixaram centenas de mortos – incluindo integrantes das forças de segurança – e milhares de presos.
Ejei atribui o avanço da desobediência a “esforços do inimigo” e ao que chama de “nudez”, termo usado para roupas consideradas inadequadas pelo regime. “Ordenei aos procuradores que atuem junto às agências de segurança para identificar esses movimentos e apresentá-los à Justiça”, afirmou, segundo o jornal Etemad.
Governo vê dificuldades em impor a regra
Apesar da pressão do Judiciário, parte do Executivo reconhece limitações para obrigar o uso do hijab. “Certamente não podemos impor o véu às pessoas”, disse a porta-voz governamental Fatemeh Mohajerani. No ano passado, a Presidência rejeitou um projeto que elevaria as penalidades contra mulheres sem cobertura na cabeça.
A postura mais branda do governo é criticada por alas ultraconservadoras. O jornal Kayhan, ligado ao núcleo duro do regime, declarou que o véu é “o primeiro bastião da identidade islâmica das iranianas” e alertou que sua derrubada enfraqueceria outros valores culturais do país.
Enquanto autoridades divergem sobre como aplicar a lei, o número de iranianas que desafiam o hijab obrigatório continua visível principalmente nas ruas da capital, sinalizando a persistência do impasse entre tradição religiosa e demandas por liberdade individual.
Com informações de Gazeta do Povo