TEERÃ – O lutador Saleh Mohammadi, de 19 anos, considerado uma das principais promessas do wrestling no Irã, foi executado por enforcamento neste mês na cidade de Qom, ao sul da capital, após condenação por “moharabeh” – crime de “guerra contra Deus” previsto na lei islâmica.
Prisão durante protestos
Mohammadi havia sido detido em janeiro, no auge da repressão aos protestos que se espalharam pelo país desde o fim de 2025. O atleta foi acusado, junto a Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi, de envolvimento na morte de policiais durante as manifestações.
Denúncias de tortura e julgamento contestado
Segundo a Anistia Internacional e outros grupos de direitos humanos, o processo correu de forma acelerada e sem garantias legais básicas. Relatórios apontam que o jovem foi torturado para confessar o crime, sofreu agressões que lhe causaram fraturas e, em tribunal, negou participação nos protestos.
Carreira interrompida
Atleta disciplinado, Mohammadi conquistou medalha de bronze em torneio juvenil na Rússia em 2024 e mantinha nas redes sociais registros de treinos e competições, sempre com mensagens motivacionais. Treinadores e colegas o descreviam como dedicado e sem histórico de violência.
Onda de repressão
A execução ocorreu em meio à intensificação da repressão interna, agravada pelo conflito do Irã com Estados Unidos e Israel. Organizações estimam que mais de 50 mil pessoas já foram presas por participarem das manifestações. A Iran Human Rights afirma que ao menos 27 detidos nesses protestos já foram executados, e mais de cem enfrentam acusações igualmente passíveis de pena de morte.
Levantamento da entidade indica que o número total de execuções no país superou 1,5 mil em 2025, quase o dobro das 975 registradas no ano anterior. Somente em março deste ano, mais de mil pessoas foram presas por supostamente divulgar conteúdo favorável ao inimigo, filmar instalações sensíveis ou participar de atos de rua.
Para Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da Iran Human Rights, “o governo sabe que sua principal ameaça vem da própria população” e usa execuções para intimidar possíveis manifestantes.
Com informações de Gazeta do Povo