O jornal The Wall Street Journal publicou neste domingo, 19 de outubro de 2025, artigo da colunista Mary Anastasia O’Grady questionando se autoridades brasileiras teriam acessado ilegalmente o banco de dados da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (Customs and Border Protection — CBP).
A hipótese surgiu a partir do caso do ex-assessor presidencial Filipe Martins, detido no Brasil após a apresentação de documentos que o CBP classificou como falsos. Segundo O’Grady, “o episódio reúne todos os elementos de uma possível infiltração estrangeira dentro do CBP”.
Origem da controvérsia
A polêmica começou quando a Polícia Federal brasileira utilizou uma página pública do CBP para apontar uma suposta entrada de Martins nos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, baseou-se nesse registro para decretar prisão preventiva do ex-assessor por seis meses, sob alegação de risco de fuga.
Como a página consultada não tem validade legal, a defesa requisitou o formulário I-94 — documento oficial de registro de chegada de estrangeiros nos EUA. O CBP respondeu que tal registro não existia. Um mês depois, contudo, surgiu um I-94 considerado “visivelmente falso” pela equipe de Martins.
Reações e investigações
Mesmo após a apresentação de indícios de falsificação, o órgão americano apenas corrigiu informações e, de acordo com o texto do Wall Street Journal, passou a dificultar o acesso a esclarecimentos adicionais. Os advogados de Martins recorreram à Justiça dos EUA para descobrir quem inseriu os dados, recebendo documentos com trechos ocultados.
O processo encontra-se na fase de produção de provas. Enquanto isso, a colunista afirma que “os americanos têm razão em perguntar o que o CBP está tentando esconder”.
Com informações de Gazeta do Povo