Brasília – O Ministério das Relações Exteriores condenou nesta quarta-feira (1º) a interceptação, pela Marinha de Israel, da Flotilha Global Sumud, que tentava romper o bloqueio imposto à Faixa de Gaza.
Em nota, o Itamaraty declarou “preocupação” com a operação e afirmou que a ação israelense viola direitos de navegação em águas internacionais e coloca em risco a integridade física dos participantes da missão, classificada como pacífica pelos organizadores.
Brasileiros detidos
Segundo a chancelaria, dez brasileiros estão entre os detidos, entre eles a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) e o ativista Thiago Ávila. A delegação do país na flotilha somava 17 pessoas; os nomes já confirmados como presos são Ariadne Catarina Cardoso Teles, Magno de Carvalho Costa, Gabrielle da Silva Tolotti, Bruno Sperb Rocha, Mariana Conti Takahashi, Lucas Farias Gusmão, Mohamad Sami El Kadri, Lisiane Proença Severo e o argentino residente no Brasil Nicolas Calabrese.
Números da operação
Dados da organização indicam que 39 embarcações foram abordadas desde a tarde de quarta-feira, com a prisão de pelo menos 178 pessoas – entre elas a ativista ambiental Greta Thunberg. Outros 443 tripulantes ainda não tiveram o paradeiro informado.
Os responsáveis pela missão denunciaram o uso de canhões d’água e o bloqueio de comunicações durante a interceptação, que, alegam, configura crime de guerra.
Cobranças do governo brasileiro
O Itamaraty exigiu que Israel garanta a segurança dos brasileiros detidos e reiterou defesa da liberdade de navegação em alto-mar, além de pedir o “levantamento imediato e incondicional” das restrições à entrada de ajuda humanitária em Gaza. A embaixada do Brasil em Tel Aviv, informou a nota, está prestando assistência consular conforme a Convenção de Viena.
Posição de Israel e da Itália
O Ministério das Relações Exteriores de Israel declarou que a operação ocorreu sem incidentes e que todos os passageiros estão sendo levados ao porto de Ashdod. A porta-voz da chancelaria italiana, Maria Elena Delia, informou que os detidos poderão optar por expulsão voluntária ou permanecer sob custódia até decisão judicial, procedimento que pode levar de 48 a 72 horas. O governo da Itália confirmou que 22 de seus cidadãos, inclusive parlamentares, estão entre os interceptados.
Acusação de vínculo com o Hamas
Autoridades israelenses afirmaram nesta semana que a Flotilha Global Sumud mantém ligações diretas com o grupo palestino Hamas, apresentando documentos que, segundo o governo, comprovariam o uso de cobertura humanitária para beneficiar a organização.
Não há previsão para a liberação dos estrangeiros retidos nem para a devolução das embarcações.
Com informações de Gazeta do Povo