Os governos da Itália, da Alemanha e da Espanha saudaram nesta sexta-feira (9) a decisão do Conselho da União Europeia de autorizar a assinatura do acordo comercial entre o bloco e o Mercosul, resultado de 25 anos de negociações.
Pelo voto dos Estados-membros, foi aprovado tanto o acordo provisório — de competência exclusiva da UE e que dispensa ratificação parlamentar — quanto a assinatura do acordo final, que exigirá aval posterior de todos os Parlamentos nacionais.
Garantias para a agricultura italiana
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que o apoio de Roma só se confirmou após obter “resultados muito importantes” para proteger o setor agropecuário do país. Entre as concessões destacadas estão:
- mecanismo de salvaguarda para produtos considerados sensíveis;
- fundo de compensação para eventuais desequilíbrios de mercado;
- reforço expressivo nos controles fitossanitários na entrada de mercadorias.
Berlim vê fortalecimento econômico
O chanceler alemão, Friedrich Merz, classificou o avanço como “um sinal importante da soberania estratégica e da capacidade de ação da Europa”. Segundo ele, o tratado “reforça a economia e as relações comerciais com os parceiros sul-americanos”, embora os 25 anos de conversas tenham sido, em sua avaliação, tempo demais.
Madri fala em “notícia extraordinária”
Na Espanha, o rei Felipe VI e o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, comemoraram o resultado durante o encerramento da reunião anual de embaixadores, em Madri. Albares celebrou o “sim” europeu ao Mercosul e lembrou o empenho da diplomacia espanhola no tema; Felipe VI incentivou os diplomatas a “desenvolver todo o potencial” do acordo.
Protestos de agricultores continuam
Enquanto autoridades festejavam o avanço, agricultores mantinham protestos iniciados na quinta-feira (8) em vários pontos do continente. Manifestações ocorreram diante do Parlamento Europeu, em Bruxelas, em rodovias francesas, em Varsóvia (Polônia) e no centro de Milão. Na cidade italiana, tratores e fardos de palha bloquearam o tráfego, com faixas que diziam “Ao vender mal a agricultura, traem a Itália” e “Dane-se a UE, não ao Mercosul”.
A aprovação pelo Conselho da UE abre caminho para a conclusão dos trâmites formais, mas a ratificação final ainda dependerá da anuência dos Parlamentos dos 27 Estados-membros europeus e dos quatro países do Mercosul.
Com informações de Gazeta do Povo