Aos 69 anos, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, voltou a ocupar o noticiário nesta terça-feira (26) ao afirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria revelado “sua verdadeira face” como “antissemita declarado” e “apoiador do Hamas”. A declaração foi feita depois de o governo brasileiro retirar o país da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA).
Conflito com Lula já dura mais de um ano
O novo ataque verbal reforça a tensão iniciada em fevereiro de 2024, quando Katz declarou Lula persona non grata em Israel. Na ocasião, o presidente comparou a ofensiva israelense na Faixa de Gaza ao Holocausto, o que provocou reacción imediata de Tel Aviv.
Trajetória política
Filho de judeus romenos que sobreviveram ao Holocausto, Katz ingressou nas Forças de Defesa de Israel (FDI) em 1973. Serviu até 1977 na Brigada de Paraquedistas como soldado, líder de esquadrão e de pelotão. Depois, formou-se bacharel e mestre em artes pela Universidade Hebraica de Jerusalém, período em que liderou protestos estudantis e chegou a ser suspenso por trancar o então reitor, Raphael Mechoulam, em seu gabinete durante uma manifestação contra a violência árabe.
Membro do Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, tornou-se deputado no Knesset em 1998. Desde então, chefiou as pastas de Agricultura, Transportes, Inteligência, Finanças, Energia e Infraestrutura e, em duas ocasiões, Relações Exteriores.
Papel na guerra contra o Hamas
Quando o Hamas realizou os ataques de 7 de outubro de 2023, Katz era ministro da Energia e Infraestrutura. Em janeiro de 2024 assumiu novamente o Ministério das Relações Exteriores. Já em novembro do mesmo ano, substituiu Yoav Gallant na Defesa, em meio a divergências internas sobre a condução da guerra na Faixa de Gaza e sobre a escalada de tensões com Irã, Hezbollah e houthis do Iêmen.
Histórico de declarações contundentes
A retórica dura de Katz ultrapassa a relação com o Brasil. Em 2014, quando era ministro dos Transportes, respondeu ao então premiê turco Recep Tayyip Erdogan, que acusara Israel de genocídio em Gaza, lembrando o massacre armênio de 1915. Em outubro de 2024, declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres, como persona non grata em Israel, criticando a suposta falta de condenação ao ataque iraniano.

Imagem: ABIR SULTAN
Mesmo à frente de diferentes ministérios, o político israelense manteve o hábito de confrontar publicamente líderes estrangeiros que, segundo ele, não condenam o terrorismo ou adotam posições consideradas hostis a Israel.
Com o novo episódio envolvendo Lula, a relação diplomática entre Brasília e Tel Aviv volta a registrar um de seus pontos mais baixos desde o início da guerra em Gaza.
Com informações de Gazeta do Povo