Jerusalém/Gaza – As Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram neste sábado, 31 de janeiro de 2026, que realizaram novos ataques aéreos na Faixa de Gaza apesar do cessar-fogo iniciado em 10 de outubro de 2025. Segundo militares israelenses, as investidas responderam a uma suposta violação da trégua por combatentes que teriam saído de túneis na região leste de Rafah.
Em nota, o Exército afirmou ter eliminado quatro comandantes e outros militantes de Hamas e Jihad Islâmica, além de atingir um depósito de armas e dois pontos de lançamento de foguetes no centro do território.
Fontes médicas e da Defesa Civil palestina relataram à agência EFE que ao menos 32 pessoas morreram nos bombardeios deste sábado, número que inclui mulheres e crianças. Os ataques elevaram o total de vítimas desde o início da trégua para mais de 520, entre elas mais de 100 menores, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.
Mortes em delegacia e ataques a residências
No bairro de Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza, equipes de resgate retiraram 17 corpos dos escombros de uma delegacia destruída; a maioria das vítimas eram mulheres e crianças. Entre os mortos estavam quatro policiais mulheres e quatro detidos, de acordo com o necrotério do Hospital Shifa e o Ministério do Interior do Hamas.
Em Khan Younis, no sul do enclave, um drone atingiu uma tenda de campanha e matou um pai, três filhos e três netos, informaram hospitais locais. Outros bombardeios no norte de Gaza destruíram apartamentos usados como abrigo, matando uma mãe e três filhos.
Disputa de versões
Israel sustenta que os alvos eram “terroristas e infraestrutura militar” e que as ações foram necessárias para impedir novas violações do cessar-fogo. Autoridades palestinas denunciam elevado número de civis mortos e feridos.
Os ataques ocorrem na véspera da reabertura prevista da fronteira de Rafah com o Egito, ponto considerado estratégico para a entrada de ajuda humanitária e para a segunda fase do acordo mediado pelos Estados Unidos. As negociações, realizadas em Miami, discutem a formação de uma autoridade unificada em Gaza e medidas para desarmar o Hamas.
A escalada também acontece uma semana após Israel afirmar ter bombardeado alvos do Hezbollah no sul do Líbano, alegando tentativa do grupo de restabelecer capacidades militares, o que adiciona outra frente de tensão na região.
Com informações de Gazeta do Povo