Jerusalém – Caminhões equipados com alto-falantes foram posicionados por Israel na fronteira e em pontos militares dentro da Faixa de Gaza para reproduzir, ao vivo, o discurso do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na 80ª Assembleia Geral da ONU, realizado na sexta-feira (26).
Do púlpito das Nações Unidas, Netanyahu afirmou ter “cercado Gaza com enormes alto-falantes ligados a este microfone” com o objetivo de que os reféns mantidos pelo Hamas pudessem ouvir sua mensagem. Falando em hebraico, o premiê dirigiu-se diretamente aos sequestrados: “Não nos esquecemos de vocês nem por um segundo. O povo de Israel está com vocês. Não descansaremos até que todos voltem para casa”.
Transmissão também por celulares
Segundo o líder israelense, “esforços especiais da inteligência” permitiram a transmissão simultânea do pronunciamento para telefones celulares de moradores do enclave palestino.
Logística e divergências
Após a fala de Netanyahu, o gabinete do primeiro-ministro confirmou a operação, esclarecendo que órgãos civis, em coordenação com as Forças de Defesa de Israel (IDF), instalaram os equipamentos “apenas no lado israelense da fronteira”.
Reportagens do Times of Israel, contudo, indicam que parte dos alto-falantes foi levada a postos militares dentro de Gaza. Um reservista ouvido pelo canal i24 News relatou ter sido acordado para escoltar os caminhões sem saber a finalidade exata da missão, “apenas que precisávamos chegar o mais perto possível dos civis”. Fontes militares mencionaram resistência inicial à ordem, alegando risco aos soldados, mas confirmaram o cumprimento.
Reação de familiares
A iniciativa provocou respostas de parentes dos cativos. Anat Angrest, mãe do sequestrado Matan Angrest, pediu para que o governo “não destrua a esperança” dos reféns com promessas que não incluam um acordo imediato de libertação. Já Lishay Miran-Lavi, marido de Omri Miran, solicitou que sua própria gravação fosse transmitida, garantindo aos prisioneiros que “a maioria decisiva do país quer um acordo que os traga de volta e ponha fim aos combates”.
De acordo com dados oficiais, 48 pessoas continuam em poder de grupos terroristas na Faixa de Gaza; 26 delas já foram declaradas mortas, entre as quais um soldado capturado em 2014.
Com informações de Gazeta do Povo