Os protestos contra o regime iraniano entraram na terceira semana com registros de crescente violência e centenas de mortos, segundo organizações de direitos humanos. A escalada das manifestações, iniciadas por motivos econômicos, elevou a tensão diplomática com os Estados Unidos após o presidente Donald Trump admitir a possibilidade de ação militar para conter a repressão.
Como começaram as manifestações
A moeda oficial do Irã, o rial, perdeu metade de seu valor frente ao dólar em dezembro, enquanto a inflação ultrapassou 40%. O agravamento da crise econômica detonou protestos em todo o país. Rapidamente, setores oposicionistas se somaram às ruas, transformando o ato em um movimento contra o regime dos aiatolás.
Reação do governo e mortes
Relatórios da Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA) indicam que, na quinta-feira (8), 96 protestos foram registrados em 27 das 31 províncias iranianas. Para conter a mobilização, Teerã impôs um apagão virtual considerado o mais severo já aplicado no país. Estimativas independentes apontam pelo menos 200 mortos; algumas entidades falam em até 500 vítimas.
Vídeos verificados pela imprensa internacional mostram homens armados disparando em vias vazias e dezenas de sacos usados para cadáveres em um necrotério nos arredores de Teerã. Na sexta-feira (9), o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, declarou que o governo “não recuará” e classificou os manifestantes como vândalos que procuram “agradar” Trump.
Pressão internacional
O presidente norte-americano discutiu com assessores diferentes cenários de ataque ao Irã, informaram veículos como Axios, The New York Times, The Wall Street Journal e The Washington Post. Trump já ordenara, em junho de 2025, a Operação Martelo da Meia-Noite, que bombardeou três instalações nucleares iranianas.
Apesar de admitir negociações, o vice-chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que Teerã está “preparado para a guerra”. Em publicação na Truth Social, Trump ofereceu apoio à “liberdade” do povo iraniano.
Manifestações no exterior
No domingo (12), centenas de exilados se reuniram em Londres pedindo o retorno de Reza Pahlavi, herdeiro do xá deposto em 1979, e solicitando apoio de EUA e Israel para derrubar o regime. Protestos semelhantes ocorreram em Berlim, diante do Portão de Brandemburgo e da Embaixada do Irã, com cartazes que diziam “Mulheres, Vida, Liberdade” e “Liberte o Irã”.
Em meio à crise, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu chegou a afirmar que Israel e Irã podem voltar a ser “aliados leais” caso o atual governo iraniano seja derrubado.
As manifestações permanecem sem data para terminar, enquanto o acesso à internet segue restrito e a comunidade internacional monitora o risco de um confronto militar de maiores proporções.
Com informações de Gazeta do Povo