Washington, 15 jan. 2026 – A Casa Branca declarou nesta quinta-feira (15) que o governo do Irã suspendeu a execução de 800 manifestantes depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu que responderia militarmente caso as sentenças fossem cumpridas.
Segundo a secretária de imprensa Karoline Leavitt, o aviso foi transmitido diretamente a Teerã. “O presidente e sua equipe deixaram claro que haveria consequências se as mortes continuassem. Em seguida, recebemos a informação de que as execuções seriam interrompidas”, afirmou a porta-voz em entrevista coletiva.
Leavitt disse que Trump foi informado “hoje” de que 800 mortes, previstas para ocorrer na véspera, foram canceladas. Mesmo com o recuo iraniano, ela ressaltou que “todas as opções permanecem sobre a mesa” e que Washington acompanha a situação “de perto”.
Até o momento, o regime de Teerã não respondeu publicamente às declarações da Casa Branca.
Casos individuais
Na terça-feira (13), as organizações Iran Human Rights e Hengaw relataram que o manifestante Erfan Soltani, 26 anos, preso seis dias antes e acusado de “guerra contra Deus”, seria enforcado na quarta (14). Familiares e o próprio grupo Hengaw informaram, porém, que a execução foi adiada.
Nesta quinta-feira, a agência Mizan, ligada ao Judiciário iraniano, afirmou que Soltani “não foi condenado à pena capital”.
Posição oficial do Irã
Em entrevista à emissora Fox News, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse “não haver qualquer plano” para enforcar manifestantes após o anúncio de Trump.
Contexto dos protestos
De acordo com organizações internacionais de direitos humanos, mais de 2,6 mil pessoas foram mortas pelas forças de segurança iranianas desde o início dos protestos, no fim de dezembro, motivados primeiro pela crise econômica e, posteriormente, pela exigência de queda do regime islâmico. Outras milhares teriam sido detidas.
O governo norte-americano impôs sanções adicionais a integrantes da cúpula iraniana e deslocou ativos militares para a região, reforçando a possibilidade de uma resposta rápida caso as execuções sejam retomadas.
Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação independente sobre o número exato de execuções canceladas.
Com informações de Gazeta do Povo