O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, general de divisão Abdolrahim Mousavi, anunciou nesta segunda-feira (2) a adoção de uma doutrina militar ofensiva, em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos.
Durante inspeção a uma unidade militar, Mousavi afirmou que a revisão estratégica foi motivada “pela guerra de 12 dias e pelas ações prejudiciais americano-sionistas”. Segundo ele, as novas operações serão “relâmpago e de amplo alcance”.
“O menor erro nos dará plena liberdade de ação. O mundo verá um rosto diferente do Irã forte; nenhum americano estará seguro e o fogo da região consumirá os EUA e seus aliados”, declarou o general, citado pela agência estatal Tasnim.
Porta-aviões dos EUA na região
As declarações ocorrem após Washington deslocar o porta-aviões USS Abraham Lincoln e três destróieres de mísseis guiados, além de milhares de militares, para perto das águas iranianas no Golfo Pérsico.
Ameaças de Trump
O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã caso não seja firmado um acordo sobre o programa nuclear do país. Ele também declarou que prestaria assistência a manifestantes iranianos se houvesse repressão aos protestos ocorridos entre 28 de dezembro e 11 de janeiro.
Dados oficiais apontam 3.117 mortos nas manifestações. Já a ONG iraniana HRANA, sediada nos EUA, contabiliza 6.842 vítimas, investiga outros 11 mil possíveis homicídios e relata mais de 40 mil prisões.
Possível retomada do diálogo
Apesar da escalada retórica, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghaei, informou que Teerã elabora detalhes de um processo diplomático com Washington e espera anunciar avanços nos próximos dias.
Agências iranianas ligadas à Guarda Revolucionária, Tasnim e Fars, noticiaram que as conversas devem começar em breve, possivelmente entre o chanceler iraniano Abbas Araqchi e o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff. Local e data ainda não foram definidos.
Antecedentes
No ano passado, EUA e Irã chegaram a negociar um novo acordo nuclear, mas o diálogo foi interrompido após a guerra iniciada por Israel contra o Irã, em junho, quando forças norte-americanas bombardearam três instalações nucleares iranianas.
Com informações de Gazeta do Povo