Teerã – A morte do aiatolá Ali Khamenei, que comandava a República Islâmica desde 1989, acionou o processo de escolha de um novo líder supremo no Irã. Na manhã de domingo, 1º de março, o aiatolá Alireza Arafi foi empossado como membro jurista do recém-formado Conselho de Liderança, colegiado que assumirá o poder interinamente até a definição do sucessor definitivo.
O conselho provisório é composto ainda pelo presidente da República, Masoud Pezeshkian, e pelo chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei. A nomeação de Arafi partiu do Conselho de Discernimento do Interesse do Estado, segundo informou o porta-voz do órgão, Mohsen Dehnavi, na rede social X.
Como funciona a escolha do líder supremo
Em regime teocrático, o Irã delega a decisão à Assembleia dos Peritos, formada exclusivamente por 88 clérigos eleitos para mandatos de oito anos – a composição atual foi escolhida em 2024. Cabe a esse colégio eleger, monitorar e, se julgar necessário, destituir o líder supremo, cargo vitalício que concentra o poder máximo no país.
Pelos termos do artigo 110 da Constituição iraniana, o líder supremo define diretrizes de política interna e externa, pode declarar guerra ou paz, mobilizar as Forças Armadas e nomear chefes do Judiciário, da mídia estatal e de órgãos estratégicos. A autoridade também supervisiona os três Poderes e tem prerrogativa para destituir o presidente, eleito pela população para mandato de quatro anos, com direito a uma reeleição.
Favoritos à sucessão
Analistas apontam quatro principais cotados para o posto:
- Alireza Arafi, 67 anos – Recém-integrado ao conselho interino, é visto como nome que reúne credenciais religiosas e peso político.
- Mohammad Mehdi Mirbageri, cerca de 60 anos – Clérigo ultraconservador, dirige a Academia das Ciências Islâmicas em Qom e mantém discurso hostil ao Ocidente.
- Hassan Khomeini, 53 anos – Neto do fundador da República Islâmica, administra o mausoléu da família nos arredores de Teerã e é considerado moderado, favorável a uma abertura controlada.
- Mojtaba Khamenei, 56 anos – Filho do líder falecido, detém influência política e ligações com a Guarda Revolucionária, mas enfrenta resistência interna por representar uma possível sucessão hereditária.
A Assembleia dos Peritos não divulgou calendário para a votação final. Até lá, o Conselho de Liderança mantém a administração do Estado e acompanha as discussões entre os clérigos sobre o próximo ocupante do cargo mais poderoso do Irã.
Com informações de Gazeta do Povo