Autoridades de segurança e especialistas em defesa alertam que o Irã pode recorrer novamente à chamada “guerra nas sombras” para elevar o custo das ofensivas conduzidas por Estados Unidos e Israel desde 28 de fevereiro. A estratégia inclui atentados, sabotagens, ciberataques, espionagem e operações executadas por intermediários, sobretudo fora do Oriente Médio.
O movimento, segundo fontes ouvidas, mira alvos ligados a Washington e Tel Aviv em territórios europeus e até no próprio solo norte-americano, repetindo um padrão empregado por Teerã em confrontos anteriores. “Quando enfrenta adversários militarmente superiores, o regime opta por ações indiretas para ampliar o alcance do conflito”, explica a professora Geni Emília de Souza, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Cruzeiro do Sul Virtual.
Histórico de operações clandestinas
Documentos de segurança europeus apontam que, em junho de 2018, forças da Bélgica, França e Alemanha impediram um ataque contra opositores do governo iraniano perto de Paris. O plano foi ligado ao diplomata Assadollah Assadi, condenado por terrorismo na Bélgica e libertado em 2023 em troca de prisioneiros.
Relatórios apresentados ao Parlamento Europeu citam ainda ao menos duas tentativas de assassinato de dissidentes na Holanda e na Alemanha, além de investidas contra alvos judaicos no continente. De acordo com os dossiês, Teerã recorre cada vez mais a redes criminosas para executar missões e dificultar a atribuição direta do ato ao Estado iraniano.
Investigações recentes na Europa
Nas últimas semanas, a polícia belga apura uma explosão que danificou a fachada de uma sinagoga em Liège. No Reino Unido, quatro suspeitos foram presos por suposto apoio ao serviço de inteligência iraniano durante monitoramento de locais ligados à comunidade judaica. Já na Noruega, autoridades investigam uma detonação na entrada da embaixada dos Estados Unidos em Oslo; a hipótese de terrorismo não está descartada.
A Europol também emitiu alerta sobre elevação do risco de atentados na União Europeia, relacionando o cenário à guerra no Oriente Médio e à possibilidade de ações orquestradas por grupos que respondem ao Irã.
Monitoramento reforçado nos EUA
Nos Estados Unidos, órgãos federais intensificaram a vigilância após identificarem transmissões de rádio codificadas que poderiam servir de canal para células clandestinas pró-Teerã. O Departamento de Justiça já investigou planos atribuídos à Guarda Revolucionária para contratar assassinos contra autoridades como John Bolton, ex-conselheiro de segurança nacional, além de projetos de ataque a Donald Trump e a dissidentes iranianos.
Especialistas em contraterrorismo lembram que a Guarda Revolucionária, em especial a Força Quds, chefia essas operações externas. “Células adormecidas sempre foram motivo de preocupação; o contexto atual pode estimular algumas delas a agir”, afirma Horace Frank, ex-chefe de contraterrorismo da polícia de Los Angeles.
Embora não haja confirmações públicas de ordens diretas de Teerã para as ocorrências recentes, analistas avaliam que a pressão militar sobre o regime torna o recurso à guerra encoberta mais provável. A intenção, sublinham, é impor custos a Washington e Tel Aviv sem arrastar novos atores para o front convencional.
Com informações de Gazeta do Povo