Parlamentares do Chile solicitaram nesta quinta-feira (5.fev.2026) a abertura de uma investigação oficial sobre o Chile-China Express, projeto que prevê a instalação de um cabo submarino de fibra óptica entre Valparaíso e Hong Kong. A iniciativa é liderada pela companhia britânica Inchcape Shipping Services (ISS) e conta com o respaldo do governo do presidente Gabriel Boric, que deixa o cargo em março.
Os congressistas argumentam que a empreitada avançou sem transparência. Não há detalhes públicos sobre financiamento, composição do consórcio ou termos contratuais – situação oposta à do cabo Humboldt, desenvolvido em parceria com o Google e apresentado com cronograma e orçamento definidos.
Outra preocupação refere-se à legislação chinesa de cibersegurança e inteligência, que obriga empresas a disponibilizar dados considerados estratégicos às autoridades de Pequim. Deputados e senadores oposicionistas afirmam que isso poderia permitir acesso chinês às informações que trafegarem pela nova rota, diminuindo a capacidade de controle do Chile e de outros países afetados.
Parte do fluxo de dados de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Peru e Equador pode ser encaminhada pelo Chile-China Express, o que, segundo parlamentares, transforma o tema em questão de segurança regional.
O senador de centro Alejandro Kusanovic classificou o cabo como “incômodo” e defendeu que o futuro governo de José Antonio Kast, que assume em março, reveja o projeto com urgência. Para ele, cabos submarinos são ativos estratégicos que podem facilitar vigilância e projeção de poder.
Na Câmara, o deputado Hotuiti Teao solicitou uma sessão secreta da Comissão de Defesa Nacional para analisar o histórico da proposta. Ele quer a participação de órgãos de telecomunicações e segurança e explicações sobre critérios técnicos e salvaguardas cibernéticas adotadas.
Com informações de Gazeta do Povo