Três dias depois de se reunir com Vladimir Putin no Alasca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta segunda-feira (18) o chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, na Casa Branca, acompanhado de líderes europeus e da Otan. As conversas, voltadas a encerrar um conflito que se aproxima de três anos e meio, deixaram quatro pontos decisivos ainda indefinidos.
1. Data e local do encontro entre Putin e Zelensky
Trump informou na rede Truth Social que telefonou para o líder do Kremlin a fim de preparar duas reuniões — uma apenas entre Putin e Zelensky e outra com participação do próprio presidente americano. Nenhum cronograma foi divulgado. Zelensky declarou a jornalistas que não imporá condições preliminares, visando evitar exigências que inviabilizem a cúpula.
2. Possibilidade de cessão territorial pela Ucrânia
Após a conversa no Alasca, Trump disse à Fox News ter concordado com Putin sobre a eventual entrega de territórios por Kiev como caminho para a paz. Nesta segunda, voltou ao tema, sugerindo que a Ucrânia renuncie à Crimeia e à intenção de integrar a Otan. Moscou controla hoje cerca de 19% do território ucraniano, incluindo a península anexada em 2014 e áreas nas províncias de Lugansk, Donetsk, Kherson, Zaporizhzhia, além de bolsões em Sumy e Kharkiv.
Zelensky admitiu no fim de semana a possibilidade de congelar a linha de frente atual para um cessar-fogo, mas lembrou que qualquer alteração permanente de fronteira exigiria referendo nacional, conforme determina a Constituição ucraniana.
3. Garantias de segurança para Kiev
No Salão Oval, Trump prometeu “muita ajuda” caso a guerra seja interrompida. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou à Fox News que a participação dos EUA ainda será detalhada, descartando por enquanto o envio de tropas à Ucrânia. Entre as alternativas discutidas está um mecanismo semelhante ao Artigo 5 da Aliança Atlântica, pelo qual um ataque ao país seria tratado como agressão a todos os signatários.

Imagem: Maria Senovilla via gazetadopovo.com.br
4. Sanções caso Moscou não firme acordo
Em julho, insatisfeito com a intensificação dos ataques russos a infraestruturas energéticas, Trump reduziu de 50 para 10 dias o prazo dado a Putin para aceitar um cessar-fogo, ameaçando tarifas de 100% sobre produtos russos e sobre nações que comprem da Rússia. O ultimato expirou no dia da reunião no Alasca, mas o presidente evitou anunciar medidas punitivas e afirmou que voltará ao tema “daqui a duas ou três semanas”.
Os quatro pontos deverão orientar as negociações que, segundo Rutte, entrarão em “nova fase de entendimento” nas próximas semanas.
Com informações de Gazeta do Povo