Buenos Aires – Uma greve geral convocada por centrais sindicais contra a reforma trabalhista do presidente Javier Milei paralisou grande parte da Argentina nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026. Trens, metrô, aviões e a maioria das linhas de ônibus ficaram fora de operação, enquanto milhares de manifestantes tentavam chegar ao Congresso, em meio a um reforçado esquema de segurança.
Organizada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) – maior central operária do país e responsável pelo quarto protesto nacional desde o início do governo Milei –, a paralisação conta com o apoio de 13 sindicatos e da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA). Serviços essenciais, como a rede pública de saúde, registraram funcionamento parcial.
A Câmara de Linhas Aéreas na Argentina (JURCA) informou o cancelamento de mais de 400 voos, afetando cerca de 64 mil passageiros e o transporte de cargas. Apenas a estatal Aerolíneas Argentinas suspendeu 255 decolagens.
Segundo estimativa preliminar da Universidade Argentina da Empresa (UADE) e de fontes do Ministério da Economia, o impacto financeiro da greve pode chegar a US$ 575 milhões, o equivalente a 0,8% do Produto Interno Bruto de fevereiro.
O governo intimou os trabalhadores do setor de transportes a evitar “medidas de ação direta” e avisou que descontará o dia de salário dos servidores públicos que aderirem ao movimento – prática incomum no país até então.
O centro do impasse é o projeto de reforma trabalhista que introduz o “salário dinâmico”, banco de horas e limitações ao direito de greve. A proposta recebeu aval do Senado em 12 de fevereiro, data marcada por confrontos entre manifestantes e forças de segurança, e será analisada pela Câmara dos Deputados ainda nesta tarde. Antes da votação, o Executivo retirou o Artigo 44, que previa redução salarial durante licenças médicas.
Com informações de Gazeta do Povo