Um artigo publicado em outubro de 2025 na revista Nature indica que a interação gravitacional descrita por teorias clássicas é capaz de induzir entrelaçamento quântico entre massas em superposição. O trabalho é assinado pelos físicos Joseph Azizi e Richard Howl, do Departamento de Física da Universidade de Londres.
Até agora, a hipótese mais aceita era a de que apenas uma forma quantizada da gravidade poderia originar esse fenômeno. Os autores, porém, demonstraram que, quando a matéria é tratada pela teoria quântica de campos (QFT), surgem canais de interação mediados por partículas virtuais que dispensam grávitons — partículas ainda hipotéticas que representariam a versão quântica do campo gravitacional.
Nos últimos anos, diversos grupos de pesquisa buscaram colocar duas pequenas massas em superposição quântica para verificar se a atração gravitacional geraria entrelaçamento. Muitos consideravam que a simples observação desse resultado seria prova incontestável da gravidade quântica. O novo estudo rebate essa interpretação.
Segundo Azizi e Howl, os canais de interação previstos pela QFT podem, por si só, transmitir informações quânticas entre as massas e produzir entrelaçamento, mesmo com a gravidade tratada de forma completamente clássica. A equipe calcula ainda que o crescimento desse entrelaçamento varia com massa, distância e tempo de maneira distinta daquela esperada caso o mediador fosse um campo gravitacional quantizado.
A implicação direta é que a mera detecção de entrelaçamento já não basta para confirmar a quantização da gravidade. Experimentos futuros precisarão medir como o entrelaçamento se modifica ao alterar parâmetros do sistema e comprovar que esses dados não se enquadram no mecanismo clássico combinado à QFT descrito pelos pesquisadores.
Esse novo requisito tornará os testes experimentais mais desafiadores, exigindo superposições maiores, tempos de coerência mais longos e instrumentação de altíssima precisão para discriminar entre os dois cenários.
Com informações de Gazeta do Povo