Home / Internacional / Gravidade clássica pode criar entrelaçamento quântico, revela pesquisa na Nature

Gravidade clássica pode criar entrelaçamento quântico, revela pesquisa na Nature

ocrente 1768013382
Spread the love

Um artigo publicado em outubro de 2025 na revista Nature indica que a interação gravitacional descrita por teorias clássicas é capaz de induzir entrelaçamento quântico entre massas em superposição. O trabalho é assinado pelos físicos Joseph Azizi e Richard Howl, do Departamento de Física da Universidade de Londres.

Até agora, a hipótese mais aceita era a de que apenas uma forma quantizada da gravidade poderia originar esse fenômeno. Os autores, porém, demonstraram que, quando a matéria é tratada pela teoria quântica de campos (QFT), surgem canais de interação mediados por partículas virtuais que dispensam grávitons — partículas ainda hipotéticas que representariam a versão quântica do campo gravitacional.

Nos últimos anos, diversos grupos de pesquisa buscaram colocar duas pequenas massas em superposição quântica para verificar se a atração gravitacional geraria entrelaçamento. Muitos consideravam que a simples observação desse resultado seria prova incontestável da gravidade quântica. O novo estudo rebate essa interpretação.

Segundo Azizi e Howl, os canais de interação previstos pela QFT podem, por si só, transmitir informações quânticas entre as massas e produzir entrelaçamento, mesmo com a gravidade tratada de forma completamente clássica. A equipe calcula ainda que o crescimento desse entrelaçamento varia com massa, distância e tempo de maneira distinta daquela esperada caso o mediador fosse um campo gravitacional quantizado.

A implicação direta é que a mera detecção de entrelaçamento já não basta para confirmar a quantização da gravidade. Experimentos futuros precisarão medir como o entrelaçamento se modifica ao alterar parâmetros do sistema e comprovar que esses dados não se enquadram no mecanismo clássico combinado à QFT descrito pelos pesquisadores.

Esse novo requisito tornará os testes experimentais mais desafiadores, exigindo superposições maiores, tempos de coerência mais longos e instrumentação de altíssima precisão para discriminar entre os dois cenários.

Com informações de Gazeta do Povo