Washington – O governo do presidente Donald Trump tem usado a política de vistos dos Estados Unidos de forma estratégica para recompensar aliados e punir governos, autoridades e grupos considerados contrários aos interesses de Washington.
Negociação com a Argentina
No mês passado, Trump assinou em Buenos Aires um acordo que abre caminho para isentar cidadãos argentinos da exigência de visto. O documento foi formalizado durante encontro entre o presidente Javier Milei e a secretária do Departamento de Segurança Interna, Kristi Noem. A dispensa, porém, depende de o país vizinho cumprir requisitos definidos por Washington, especialmente ligados à segurança nacional.
Sanções a autoridades brasileiras
Pouco antes de firmar o aceno à Argentina, a Casa Branca revogou os vistos do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, de familiares e aliados no STF. O cancelamento também atingiu servidores federais brasileiros ligados ao programa Mais Médicos, entre eles a esposa e a filha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Medidas contra Cuba, Palestina e imigrantes ilegais
Em outra frente, o Departamento de Estado barrou a entrada de membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), citando violação de compromissos diplomáticos e apoio ao terrorismo.
O governo norte-americano também anulou vistos do presidente cubano Miguel Diáz-Canel, do ministro da Defesa Álvaro López Miera, do ministro do Interior Lázaro Alberto Álvarez Casas e de seus familiares.
Além disso, passou a exigir uma caução que pode chegar a US$ 15 mil (cerca de R$ 82 mil) para visitantes de países com alta taxa de imigração ilegal; por enquanto, a regra vale para duas nações africanas, mas a lista pode ser ampliada.
Critérios mais rígidos
O Departamento de Estado informou que fatores como caráter moral, envolvimento em atividades antiamericanas, terroristas ou antissemitas serão avaliados na análise de novos pedidos. Condutas consideradas negativas podem levar à recusa imediata.

Imagem: Isabella de PaulaPor Fábio Galão via gazetadopovo.com.br
“Trump Card” para milionários
Em junho, a Casa Branca lançou o “Trump Card” – ou “Gold Card” –, visto de residência permanente que custa US$ 5 milhões. A iniciativa pretende atrair investidores de alta renda, movimentar a economia e, segundo Trump, chegar a mais de 1 milhão de emissões.
Revisão massiva e freio a caminhoneiros estrangeiros
Nesta quinta-feira (21), o governo anunciou a revisão dos vistos de mais de 55 milhões de estrangeiros. Quem tiver violado regras de permanência poderá ter o documento cancelado e, se estiver em solo americano, será deportado.
Na mesma data, o secretário de Estado Marco Rubio comunicou a suspensão imediata da emissão de vistos de trabalho para motoristas de caminhão comercial, alegando risco à segurança viária e prejuízo aos profissionais norte-americanos.
As ações recentes indicam que o visto Norte-americano se consolidou como instrumento central da diplomacia de recompensas e punições adotada pela atual administração republicana.
Com informações de Gazeta do Povo