Home / Internacional / Genoma de 4.800 anos revela detalhes da vida de egípcio antigo

Genoma de 4.800 anos revela detalhes da vida de egípcio antigo

ocrente 1767014376
Spread the love

Pesquisadores das universidades de Liverpool e Liverpool John Moores, no Reino Unido, completaram o sequenciamento do genoma humano mais antigo já analisado. O DNA foi retirado dos dentes de um esqueleto egípcio datado de 4.500 a 4.800 anos, encontrado originalmente na necrópole de Nuwayrat, cerca de 240 quilômetros ao sul do Cairo.

O corpo havia sido selado em um grande vaso de cerâmica, o que preservou o material genético contra o clima árido e até mesmo contra bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Arqueólogos britânicos descobriram os restos mortais no final do século XIX; desde então, eles permaneceram armazenados em um depósito na cidade portuária de Liverpool.

Condições raras de preservação

Segundo a equipe, o enterro cuidadoso – reservado a indivíduos ricos ou de castas nobres – foi decisivo para a conservação do DNA. “Quarenta anos se passaram desde as primeiras tentativas de recuperar DNA de múmias”, lembrou Pontus Skoglund, coautor do estudo publicado na revista Nature. “Com novas técnicas, superamos essas barreiras e agora temos evidências genéticas de movimentos populacionais naquele período.”

Perfil biológico e ocupação provável

A análise osteológica indica que o esqueleto pertenceu a um homem adulto, com desgaste dentário e sinais de osteoartrite – marcas associadas a trabalho físico intenso. Alterações nos ossos do quadril, nos braços e no pé direito sugerem longas horas de movimentos repetitivos, compatíveis com atividades de oleiro ou ceramista, explicou o antropólogo Joel Irish.

Testes de isótopos nos dentes apontam que o indivíduo cresceu no Vale do Nilo, consumindo trigo, cevada e proteínas terrestres, dieta típica do Egito antigo. O sequenciamento sugere olhos e cabelos castanhos e pele escura, embora os autores ressaltem as limitações dessas estimativas em populações pouco amostradas.

Ancestralidade e migrações

Do ponto de vista genético, cerca de 80% da ancestralidade do homem corresponde a populações do norte da África. Os 20% restantes se relacionam a grupos antigos do Crescente Fértil e da Mesopotâmia, região que hoje abrange parte do Iraque. O resultado reforça a hipótese de migrações desse território para o Egito durante o período, anteriormente sustentada apenas por achados arqueológicos.

“Reunir pistas do DNA, dos ossos e dos dentes permitiu construir um quadro abrangente”, disse Adeline Morez Jacobs, também autora do estudo. Ela acrescentou que novas amostras serão necessárias para determinar com precisão quando esses fluxos populacionais começaram.

Com informações de Gazeta do Povo