As garantias do presidente norte-americano, Donald Trump, de que os Estados Unidos assumirão o controle provisório da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro reduziram a probabilidade de um conflito interno sangrento, segundo analistas consultados em 3 de janeiro de 2026.
Analistas veem menor risco de confrontos
Especialistas ouvidos apontam que a promessa de Washington afasta o cenário de disputa armada entre facções das Forças Armadas Bolivarianas, milícias ligadas às Farc e ao ELN e grupos leais ao antigo regime. Para Fabrício Rebelo, do Centro de Pesquisa em Direito e Segurança (CEPEDES), a presença militar norte-americana tende a inibir qualquer resistência efetiva: “As milícias não têm poderio suficiente para enfrentar as forças americanas”, afirmou.
O pesquisador lembra, contudo, que períodos pós-derrubada de governos costumam ser marcados por instabilidade social, saques e “justiçamentos” se restar vácuo de poder. Nesse contexto, a disposição dos EUA de coordenar a transição seria decisiva para conter o caos.
Eleições livres ainda sem data
Embora Trump garanta “transição adequada e segura”, não há confirmação de um calendário eleitoral. O governo norte-americano, em seu Plano de Segurança Nacional divulgado em dezembro, fala em instalar “governos estáveis”, sem necessariamente citar democracia. Leonardo Paz Neves, da FGV, avalia que promover eleições imediatas seria arriscado: “Os EUA devem preferir um governo de transição e só depois marcar o pleito”.
Gunther Rudzit, professor da ESPM, concorda que eleições livres em curto prazo são improváveis, sobretudo pela fragmentação de grupos militares e políticos que compunham o chavismo.
Possíveis nomes para a transição
No debate sobre a liderança interina, surgem nomes como Edmundo González, opositor cujo mandato presidencial foi contestado por fraudes, e María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz. Trump, porém, não mencionou González e disse que Machado carece de apoio interno.
Operação e mensagens de força
Durante coletiva, Trump detalhou a captura de Maduro e reiterou que qualquer autoridade venezuelana contrária às condições impostas por Washington poderá enfrentar o mesmo destino. Relatou ainda conversa em que a vice-presidente Delcy Rodríguez teria aceitado os termos norte-americanos — declaração desmentida pela própria, que, de Moscou, convocou milícias a pegarem em armas.
O presidente dos EUA advertiu que um “segundo ataque, massivo” está pronto caso surja resistência, mas disse não acreditar que nova ação será necessária.
Possibilidade de acordos silenciosos
A execução rápida da operação, sem reação visível, levou especialistas a suspeitar de negociações prévias entre Washington e integrantes do chavismo. Para Paz Neves, a facilidade para capturar Maduro pode indicar colaboração interna, o que abriria caminho a uma transição menos traumática.
Com informações de Gazeta do Povo