O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, que o país vai aumentar o número de ogivas nucleares e passar a envolver oito parceiros europeus em uma nova política de “dissuasão avançada”. O pronunciamento ocorreu na base naval de Île Longue, na Bretanha, onde estão atracados os submarinos estratégicos franceses.
Mais ogivas e sigilo sobre números
Macron declarou que a França está “entrando em uma nova fase” de sua doutrina nuclear. O estoque, atualmente estimado em cerca de 290 ogivas, será ampliado, mas o governo deixará de divulgar publicamente o total exato de armas.
Novo submarino até 2036
Durante o discurso, o presidente confirmou a construção de um quinto submarino nuclear, batizado de The Invincible, com lançamento programado para 2036. Hoje, a frota estratégica francesa é composta pelos submarinos Le Triomphant, Le Téméraire, Le Vigilant e Le Terrible, todos baseados em Île Longue.
Participação de oito países europeus
O plano de dissuasão avançada contará com a adesão de Reino Unido, Alemanha, Polônia, Holanda, Bélgica, Grécia, Suécia e Dinamarca. Esses países poderão participar de exercícios ligados à aviação nuclear francesa e, de forma temporária, hospedar aeronaves com capacidade de armamento atômico.
Apesar da cooperação, Macron enfatizou que a decisão sobre qualquer eventual uso de armas nucleares continuará sendo prerrogativa exclusiva da França. Pela Constituição, somente o presidente francês pode autorizar esse tipo de ação.
Contexto internacional
O líder francês justificou a expansão do arsenal citando “um ambiente estratégico cada vez mais instável”, marcado pela guerra da Rússia na Ucrânia e por dúvidas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a segurança da Europa. Ele afirmou que “os próximos 50 anos serão uma era das armas nucleares”.
Dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) e da Federação de Cientistas Americanos (FAS) colocam a França como a quarta maior potência nuclear do mundo, atrás de Rússia, Estados Unidos e China. Mais de 80% das ogivas francesas são lançadas a partir de submarinos, segundo o Bulletin of the Atomic Scientists.
O governo de Paris destaca que a iniciativa reforça a autonomia estratégica europeia, mas não substitui o guarda-chuva nuclear oferecido pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Com informações de Gazeta do Povo